Um “não lugar”, um lugar
inexistente.
Foi deste modo irónico que Thomas
More deu nome à sua sociedade perfeita - “Utopia” acabou por ser sinónimo de uma
sociedade ideal.
Acontece que, essa sociedade
ideal, que todos procuram, é impossível e impraticável.
Nunca existiram, não existem e
nunca existirão sociedades perfeitas.
Por mais que as instituições
políticas e civis procurem construir essa sociedade perfeita, há sempre algo
que torna o perfeito, imperfeito. É como se a perfeição se situasse no campo da
abstração coletiva e individual, sendo certo que o nível de perfeição ideal vai
sempre depender de pessoa para pessoa.
Nas sociedades contemporâneas,
são cada vez em maior número os requisitos exigidos para uma “vida perfeita”,
fruto da pressão exercida pelos media e
pelas redes socais.
É através destes meios que as
pessoas partilham tudo o que compram, tudo o que fazem, com quem andam, por
onde viajam, entre outras atividades do quotidiano, como se os respetivos
níveis de felicidade e perfeição fossem determinados pelas imagens que divulgam.
As pessoas passam a valer por todos os bens materiais que possuem - pela casa
que habitam, pelo carro que guiam, pela roupa que vestem e pelos sítios que
visitam -, não por aquilo que são em termos de valores e atitudes morais.
Efetivamente, mais do que nunca,
assistimos a um desvalorizar progressivo de uma série de valores morais,
predominando a ambição desmedida, a ganância, a crueldade, a injustiça e a corrupção
movida pelo dinheiro.
Infelizmente esta realidade parece
que nos persegue. Quando ligamos a televisão ou abrimos um jornal, ouvimos ou vemos
em letras grandes e gordas: guerra, mortes,
pobreza e outras desgraças. Uma pessoa é levada a perder a esperança e a
questionar-se onde é que está a paz, a esperança e a felicidade.
Quanto mais tentamos atingir a
perfeição mais infelizes e miseráveis nos tornamos.