quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

UTOPIA

Um “não lugar”, um lugar inexistente.
Foi deste modo irónico que Thomas More deu nome à sua sociedade perfeita - “Utopia” acabou por ser sinónimo de uma sociedade ideal.
Acontece que, essa sociedade ideal, que todos procuram, é impossível e impraticável.
Nunca existiram, não existem e nunca existirão sociedades perfeitas.
Por mais que as instituições políticas e civis procurem construir essa sociedade perfeita, há sempre algo que torna o perfeito, imperfeito. É como se a perfeição se situasse no campo da abstração coletiva e individual, sendo certo que o nível de perfeição ideal vai sempre depender de pessoa para pessoa.
Nas sociedades contemporâneas, são cada vez em maior número os requisitos exigidos para uma “vida perfeita”, fruto da pressão exercida pelos media e pelas redes socais.
É através destes meios que as pessoas partilham tudo o que compram, tudo o que fazem, com quem andam, por onde viajam, entre outras atividades do quotidiano, como se os respetivos níveis de felicidade e perfeição fossem determinados pelas imagens que divulgam. As pessoas passam a valer por todos os bens materiais que possuem - pela casa que habitam, pelo carro que guiam, pela roupa que vestem e pelos sítios que visitam -, não por aquilo que são em termos de valores e atitudes morais.
Efetivamente, mais do que nunca, assistimos a um desvalorizar progressivo de uma série de valores morais, predominando a ambição desmedida, a ganância, a crueldade, a injustiça e a corrupção movida pelo dinheiro.
Infelizmente esta realidade parece que nos persegue. Quando ligamos a televisão ou abrimos um jornal, ouvimos ou vemos em letras grandes e gordas:  guerra, mortes, pobreza e outras desgraças. Uma pessoa é levada a perder a esperança e a questionar-se onde é que está a paz, a esperança e a felicidade.

Quanto mais tentamos atingir a perfeição mais infelizes e miseráveis nos tornamos.