Lisboa nos últimos anos tem vindo a sofrer uma profunda
transformação decorrente do processo de gentrificação e do turismo.
Áreas da cidade que antes estavam ao abandono e que não
suscitavam grande interesse para os lisboetas, sofreram uma valorização
gigantesca. Antigos palácios transformados em condomínios de luxo, áreas
populares transformadas em áreas de alojamento local, tudo isso tem vindo a ser
parte do cotidiano da cidade.
Más, à parte da transformação imobiliária, outros comércios
relacionados com o turismo também têm vindo a florescer. E um dos mais visíveis são os Tuk Tuks.
Aquilo que no início parecia (aos olhos dos Lisboetas) como
uma excentricidade e uma quase rebeldia, rapidamente se transformou em paisagem
urbana. Houve uma resistência por parte da cidade em os aceitar (e ainda há pelos
habitantes dos bairros históricos devido ao transtorno que causam ao trânsito),
mas no espaço de pouquíssimos anos foram incorporados e passaram a ser o padrão
de transporte turístico da cidade de Lisboa, num bom exemplo do processo de resistência/hegemonia/incorporação.
E isso é notório em diversas vertentes. Pela quantidade de
Tuk Tuks que vemos nas ruas, pela oferta dos seus serviços aos turistas através
dos mais diversos meios, e até por souvenirs vendidos como ímans e postais.
Nos dias de hoje, para um turista, passear por Lisboa é
sinónimo de andar de Tuk Tuk.
