sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Vivemos no que criámos


O pensamento gera os impulsos que determinam o mundo. O Homem é o resultado de uma constante mutação fisiológica, mutação que é feita através das ambições de cada um de nós. A infinitude das perspectivas e ambições humanas geram a infinitude do mundo em que vivemos atualmente.
O domínio de um ser humano sobre outro é resultado da necessidade de exercer poder, como por exemplo, a tentativa de domínio entre raças. Esta necessidade de domínio resulta também na hegemonia cultural, estando presente no ser humano desde que o mesmo começou a criar ambições.
Primeiramente havia o desejo de se querer dominar as outras espécies, posteriormente o domínio das raças passou a ser o objetivo principal, até que a necessidade de domínio das relações interpessoais tomou o pensamento humano, bem como o domínio da ciência e da arte. O Homem começou a sonhar. O Homem começou a querer chegar mais longe até ao domínio profundo do mundo. Esta necessidade foi crescendo na medida em que foi sendo sustentada em ambições excessivas e metas causadores de enormes irreversibilidades.  
Passando o foco deste discurso para o domínio das relações interpessoais, deve sublinhar-se o facto de que desde muito cedo o Homem sentiu uma enorme necessidade em estratificar e classificar a sociedade. Desde o império romano e chegando às ditaduras nazista e fascista, e da estrutura piramidal da monarquia (rei, nobreza, clero e povo) até à república, com a relação entre o estado e a sociedade civil. Posto isto, as estruturas jurídico-políticas e as estruturas ideológicas, foram-se transformando em prol das ambições e da ganância do ser humano.
É verdade que se o Homem não tivesse nem ganância nem ambições provavelmente nunca teria alcançado todas as virtudes que se sabe que alcançou. Se a conduta genética do ser humano fosse limitada ao ponto de estagnar antes de surgir a linguagem, o pensamento seria também algo completamente limitado, isto porquê: seria possível pensar sem se ter acesso à linguagem? Como é que os pensamentos seriam descritos? Na ausência daquela “voz interior”, que é a ferramenta indispensável para se pensar, utilizaríamos o quê? Só mesmo gestos, por isso sim, o pensamento seria totalmente limitado e o ser humano não passaria de um chimpanzé.
O poder de evolução e adaptação da espécie humana levou a que a sua mente se expandisse quase sem limites, mas todas essas conquistas trouxeram consequências nefastas, é de salientar que a maioria das conquistas do ser humano foram centradas no avanço de todas as componentes que fazem parte da vida de cada um de nós, e que raramente tiveram em vista as outras parcelas da natureza.