Nós vivemos no império dos números. Quase todas as
decisões de ordem política ou económica são tomadas com base em argumentos
exclusivamente quantitativos. Não existem mais pessoas; só planilhas,
estatísticas e projeções contábeis. O número venceu, pelo menos
temporariamente.
Mas a economia não pode ser um fim em si mesma; ela
deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, da justiça social,
da educação, das utopias ou da felicidade.
O uso exclusivo dos números para orientar a nossa
vida empobrece, obscurece e aliena. Deixa nos cegos para outros aspectos
essenciais da realidade. Por exemplo, os economistas costumam louvar,
automaticamente e criticamente, as estatísticas da produção agrícola sem
considerar, em nenhum momento, os impactos no meio ambiente.
No entanto, os cientistas têm alertado que as
monoculturas afetam o ciclo das águas e contribuem para o acirramento da
crise hídrica. De outra parte, o mercado parece a expressão de uma entidade
divina, soberana, racional e incontestável. Todavia, é regido pelos humores
mais instáveis, mais irracionais e mais predatórios. Oito bilionários detém o
bolo maior da riqueza do mundo enquanto nações inteiras agonizam na linha da
pobreza ou da miséria.
Os mandatários que decidem as grandes questões
nacionais desconsideram tudo que não seja um número. Os seres humanos foram
inteiramente extintos dos discursos, das argumentações e dos projetos....