sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Alienação dos Numeros

         Nós vivemos no império dos números. Quase todas as decisões de ordem política ou económica são tomadas com base em argumentos exclusivamente quantitativos. Não existem mais pessoas; só planilhas, estatísticas e projeções contábeis. O número venceu, pelo menos temporariamente.  
         Mas a economia não pode ser um fim em si mesma; ela deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, da justiça social, da educação, das utopias ou da felicidade. 
         O uso exclusivo dos números para orientar a nossa vida empobrece, obscurece e aliena. Deixa nos cegos para outros aspectos essenciais da realidade. Por exemplo, os economistas costumam louvar, automaticamente e criticamente, as estatísticas da produção agrícola sem considerar, em nenhum momento, os impactos no meio ambiente. 
         No entanto, os cientistas têm alertado que as monoculturas afetam o ciclo das águas e contribuem para o acirramento da crise hídrica. De outra parte, o mercado parece a expressão de uma entidade divina, soberana, racional e incontestável. Todavia, é regido pelos humores mais instáveis, mais irracionais e mais predatórios. Oito bilionários detém o bolo maior da riqueza do mundo enquanto nações inteiras agonizam na linha da pobreza ou da miséria. 
         Os mandatários que decidem as grandes questões nacionais desconsideram tudo que não seja um número. Os seres humanos foram inteiramente extintos dos discursos, das argumentações e dos projetos....