A grande valorização da identidade Europeia nasce aquando a da identidade que não o é. Temos aqui em mãos o nascimento de um importante conceito que é o da Orientalização. Expliquemos por outras palavras: só temos uma definição da entidade "Oriente" quando definimos igualmente os limites da entidade em que estamos inseridos. A partir dessa separação, começamos a estabelecer relações e comparações fora e dentro dos limites, o que nos permite realçar ainda mais as nossas próprias características como seres alienígenas a esse mundo novo.
Toda a linha de pensamento ligada a este conceito, observando com atenção, pode-nos levar precisamente até às origens da própria cultura em si. Cultura nasce quando o mundo material toca o mundo ideal através de ligações arbitrárias. Essas ligações criam os conceitos, criam os significados, as correntes de pensamento, as filosofias. Antes de qualquer sujeito poder ter acesso a essa arbitrariedade, ele vai ter que ultrapassar um primeiro obstáculo: tomar consciência dele mesmo, tomar consciência da sua existência. Sem estabelecer esses limites iniciais o sujeito não pode tomar conhecimento de outras coisas, porque não sabe ainda o que é o "fora" e o "dentro" de si; rege-se ainda pelo princípio da necessidade. Tomando essa primeira consciência, o sujeito começa então a procurar o que há para além dele, começa a valorizar a sua identidade como algo que é central ao seu próprio Universo. Essa identidade é a ligação que existe entre o corpo material e o mundo das ideias. É nesse mundo ideal que ocorre os fenómenos do conhecimento. Aqui o sujeito é livre de sair de si, entrar nos limites do que o rodeia, comparar características e estabelecer relações de igualdade ou diferença, voltar a si e trazer consigo uma imagem do objeto: ele cria um conceito, estabelece um significado. Assim, arbitrariamente ele explora o mundo das ideias, vive num mundo semântico, alienado. Nasce um ser cultural, ou ,como gostamos de chamar, um ser humano.
O quão grande é esse mundo das ideias? A resposta a essa pergunta está tão longuínqua como a resposta à pergunta "Quando é que o ser humano vai possuir todo o conhecimento?".