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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018


Memórias de Ontem


As Memórias de Ontem ou o seu título original em japonês おもひでぽろぽろ (Omohide Poro Poro) é um filme dramático japonês realizado pelo famoso estúdio de animação Ghibli. Foi escrito e dirigido por Isao Takahata que baseou-se no mangá com o mesmo nome de Hotaru Okamoto e Yuko Tone.

O enredo trata-se de Taeko, uma mulher de 27 anos, solteira que nunca teria saído da sua terra natal de Tóquio e que de momento decide tirar umas férias e visitar a terra rural de Yamagata onde vive a família do seu cunhado, para ajudar na colheita do açafrão.
Durante a sua estadia, Taeko sente uma onda intensa de nostalgia e começa a recordar a sua infância do ano de 1966, de quando teria 11 anos. Ao reviver as suas memórias, ela enfrenta as suas questões adultas sobre a carreira e o amor. A viagem traz memórias esquecidas como o seu primeiro amor, a puberdade e as frustrações da matemática, ou até as situações mais mundanas como a primeira vez que exprimentou comer ananás.


Este filme consegue retratar excelentemente a relação entre nós e a nossa criança interior. Ao vermos a luta de Taeko com o seu passado, entendemos que todas as nossas partes mais inseguras, cruéis e tenebrosas provém da nossa infância. Todos temos dentro de nós uma criança que fomos um dia. Cuidar dessa criança é de uma importância extrema que se prova vital para o nosso desenvolvimento emocional.

Memórias de Ontem é uma simples história sobre o crescimento, mas  é feita de uma maneira bastante inteligente que nos diz que os nossos "eus" mais jovens nos perseguem até à idade adulta, sempre a questionarem-nos porque não somos as pessoas que pensávamos que iriamos ser.


O campo onde Taeko vai ajudar na colheita
A animação tradicional feita à mão para além de conter o estilo anime característico do estúdio, também adapta um estilo mais realista no design das personagens. Por vezes as transições são tão suaves que confundimos o passado com o presente. Outro elemento a salientar são os backgrounds detalhados e semi-realistas dos locais por onde a personagem principal passa.

A obra conta com as vozes maravilhosas de Honna Yoko (Taeko de 11 anos) e Imai Miki (Taeko adulta). A música usada transporta-nos para a altura dos anos 60 acompanhando-se da nostalgia do tempo.

Em suma, foi um prazer visualizar este filme e agradeço-o por me ajudar a compreender que
não devo negligenciar a minha criança interior, pelo contrário, devo amá-la e apreciá-la
pelo o que é.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

"Vivemos para trabalhar" diz a minha mãe. E diz ela com razão.

No momento em que começamos a trabalhar, o produto que estamos a produzir deixa de ser nosso, apesar de sermos os seus criadores. Somos gastos do nosso tempo e energia sem podermos usufruir do produto pois somos privados dele. Isto cria uma alienação. Tanto o objeto como o trabalhador são transformados em mercadoria que servem apenas para saciar as necessidades do sistema capitalista.

Visto que os produtos são designados para satisfazerem outras necessidades, isso implica que o trabalho em si deixa de ser o fim, passa a ser o meio para o qual obtemos a satisfação para as nossas necessidades como são a alimentação e a habitação. O fim agora passa a ser o dinheiro.

Ora deste modo percebemos que o Homem vive para o dinheiro. Vendemos o nosso tempo, energia e aspirações por dinheiro para poder trocá-las por mercadorias.

Consequentemente perdemos a sua vida a trabalhar, sendo nós sujeitos a rotinas cansativas, transformando-nos mais numa máquina. Isto poderá ser o fim do Homem na sociedade capitalista. Os humanos são os únicos animais conscientes, que não se destinam apenas a comer, dormir e reproduzir, podendo também criar e transformar tudo à sua volta. Se perdermos as nossas capacidades de criação e transformação que nos definem como seres humanos, então não seremos diferentes de todos os restantes animais.

Falta-nos saber a quem se destinam os produtos que não podemos usufruir. A resposta é o homem, o capitalista. Por outras palavras, para além de alienarmos a nós próprios e o nosso trabalho, também alienamonos a outros homens - os capitalistas que exploram os homens como meios para a sua riqueza e os que desfrutam dos seus produtos.



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017



Recentemente tenho desenvolvido uma forte atracção às línguas estrangeiras. Fascina-me quando alguém consegue comunicar em mais do que um idioma. No entanto, quando inicio a aprender como pronunciar a palavra “olá”, fico sempre com a sensação que voltei a ser um bebé que necessita de aprender a falar. É com essa frustração que reflicto então a maneira como nos comunicamos uns entre os outros.

Ferdinand Saussure escreveu o livro Curso de linguística geral, onde explora a maneira como os humanos comunicam, as nossas línguas e como fazemos esta transferência de ideias uns para os outros. Nesta obra, o autor parte que o signo (a unidade fundamental do entendimento de algo) se pode considerar em duas partes, aos quais nomeou de conceito e imagem acústica, que actualmente designamos de significante e significado respectivamente. Não sei se recordam aqueles cartões com um desenho do objecto e o seu nome em baixo traduzido para inglês ou francês? Saussure designa o nome do objecto como significante e a imagem ou o seu respectivo conceito como significado.

Porém Ferninand não responde à origem da criação de diferentes idiomas ou como os seres humanos são as únicas espécies que são capazes de falar entre si, porque é uma questão que ultrapassa qualquer um de nós por milhares de anos. 

Apesar de achar que a história da Torre de Babel  seja plausível (por favor não levem o meu sarcasmo a sério), penso que haverá algo que nos irá contar como isto tudo aconteceu.