terça-feira, 2 de janeiro de 2018

"Vivemos para trabalhar" diz a minha mãe. E diz ela com razão.

No momento em que começamos a trabalhar, o produto que estamos a produzir deixa de ser nosso, apesar de sermos os seus criadores. Somos gastos do nosso tempo e energia sem podermos usufruir do produto pois somos privados dele. Isto cria uma alienação. Tanto o objeto como o trabalhador são transformados em mercadoria que servem apenas para saciar as necessidades do sistema capitalista.

Visto que os produtos são designados para satisfazerem outras necessidades, isso implica que o trabalho em si deixa de ser o fim, passa a ser o meio para o qual obtemos a satisfação para as nossas necessidades como são a alimentação e a habitação. O fim agora passa a ser o dinheiro.

Ora deste modo percebemos que o Homem vive para o dinheiro. Vendemos o nosso tempo, energia e aspirações por dinheiro para poder trocá-las por mercadorias.

Consequentemente perdemos a sua vida a trabalhar, sendo nós sujeitos a rotinas cansativas, transformando-nos mais numa máquina. Isto poderá ser o fim do Homem na sociedade capitalista. Os humanos são os únicos animais conscientes, que não se destinam apenas a comer, dormir e reproduzir, podendo também criar e transformar tudo à sua volta. Se perdermos as nossas capacidades de criação e transformação que nos definem como seres humanos, então não seremos diferentes de todos os restantes animais.

Falta-nos saber a quem se destinam os produtos que não podemos usufruir. A resposta é o homem, o capitalista. Por outras palavras, para além de alienarmos a nós próprios e o nosso trabalho, também alienamonos a outros homens - os capitalistas que exploram os homens como meios para a sua riqueza e os que desfrutam dos seus produtos.