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| Mapa da Planta da Península de Macau, 1889 |
Ao
entrar na exposição, somos deparados de imediato com um grande mapa que
ocupa uma altura desde o chão até ao teto. Este mapa, que representa a Ilha de Macau, é um
mapa português que data de 1889 e está desenhado ao estilo
Ocidental da época. Sendo o primeiro objeto da exposição que é observado, adquire
um poder imenso sobre as pessoas que entram na mesma. A presença e escala deste mapa
diz-nos instantaneamente, que vamos assistir a uma exibição sobre um local cuja
colonização e administração portuguesa, que perdurou por 450 anos, deteve
uma presença extremamente impactante na sua história, e é necessário
que nos recordemos desse aspecto fundamental, ao entrarmos para a exposição propriamente dita.
A exposição é composta
por um conjunto de 220 fotografias a preto e branco, produzidas pelo processo fotográfico
de um daguerreótipo, que retratam 100 anos de história de
Macau. A obra selecionada foi concebida, tanto por fotógrafos amadores como
profissionais, e tem início em 1844, com o trabalho de Jules Itier, que regista
os lugares e reações das pessoas, obtendo as mais antigas
fotografias de Macau que chegaram até hoje. Este autor é pioneiro e responsável
pelo aparecimento da fotografia na região.
A viagem pelo passado é iniciada. Primeiramente, há um vasto conjunto de imagens que expõem cenas do quotidiano e de convívio entre a população de Macau. Após estas imagens, surgem fotografias de celebrações e de acontecimentos importantes, onde se destacam as primeiras travessias aéreas de Lisboa a Macau. A exposição é também composta por um conjunto de imagens com figuras históricas, políticas e celebridades que passaram por Macau, salientando o retrato do General Gomes da Costa. De seguida, entramos no conjunto fotográfico que domina grande parte da exposição. Este reúne imagens de paisagens, ruas e bairros, monumentos e edifícios arquitetónicos, na sua maioria já inexistentes ou profundamente alterados.
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| Aviações Pátria I e Pátria II, 1924 |
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| General Gomes da Costa, vestido de mandarim, 1923 |
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| Nu feminino, publicado no álbum fotográfico intitulado de The Culture of the Nude in China, de 1928 |
Aproximando-nos do fim, há um pequeno conjunto de corpos nus femininos, fotografados em bordéis em Macau, por Heinz Von Perckhammer, que expressam uma evidente timidez por parte das jovens chinesas. Os nus exibem poses artísticas e são propositadamente desfocados, com o intuito de transmitir um certo romantismo. As imagens foram consideradas arte erótica e a sua obra foi proibida durante o regime Nazi. A exposição termina com um vídeo sobre Macau.
Esta completa e diversificada seleção de fotografias, oferece
ao público a essência do que seria a vivência das comunidades Macaenses. Para
além da visível simbiose entre a cultura portuguesa e a cultura tradicional de
Macau, é possível também observar, em comparação com o presente, o evidente
desenvolvimento económico e a clara a evolução política e social do território,
assim como o progresso arquitetónico e as alterações que a cidade sofreu, tudo
inserido dentro de um século de história.
Talvez o conceito de 100 anos de história reduzidos a pouco mais
do que duas centenas de imagens poderá parecer redutor. No
entanto, desta forma a exposição não se torna extensa o que permite deixar o
público com desejo de ver mais, conhecer melhor o local e a sua cultura,
entender os costumes e as tradições e investigar sobre os distintos contextos
em que cada fotografia foi concebida. Esta exposição, repleta de imagens com
uma forte carga histórica, oferece uma nova visão sobre Macau alarga os
conhecimentos sobre esta terra longínqua.



