Um ano após a morte De Vincent Van Gogh, Armand
Roulin é enviado pelo seu pai, Auvers-sur-Oise, carteiro amigo de vicente, a
entregar uma carta escrita por Vincent a seu irmão Theo, que nunca foi
entregue. Entretanto ao longo dessa missão, são revelados factos sobre o
artista que fazem questionar a causa da sua morte, terá sido homicídio ou
suicídio.
E assim o enredo do filme
desenrola-se através de “entrevistas” feitas por Armand às figuras mais
próximas do pintor e através de reconstruções dramáticas dos eventos que
levaram à sua morte. Já a trama
é construída com base nas cartas escritas pelo próprio Vincent van Gogh à
família e amigos, também com base em depoimentos e numa longa pesquisa sobre o
artista. Umas das mais importantes
bases de inspiração para a realização do filme foram também as pinturas
do próprio pintor, vendo assim o mundo nos olhos de Van Gogh e tal como
escreveu "Bem, a verdade é que não conseguimos expressar-nos se não
através dos nossos quadros", pois utilizar os seus quadros seria a melhor
forma de apresenta-lo, falar dele ou de fazer uma biografia dele.
Esteticamente este filme foi uma
revolução pois, Loving Vincent a primeira animação sobre Vincent Van Gogh
inteiramente feita com pinturas a óleo.
Ao todo 150 artistas de todo o mundo foram contratados para se
dedicarem, durante dois anos, à criação de mais de 62450 telas-frame,
basicamente cada frame do filme é uma pintura diferente. Resultando em
95minutos de filme em que posteriormente todas as cenas do filme foram filmadas
e depois editadas e separadas por frames para serem pintadas no estilo de
Vincent, sempre com a referencia dos seus quadros que também foram a base
durante as filmagens. Assim, o objetivo da obra é reproduzir o estilo de Van
Gogh e refletir sobre a sua vida e as circunstâncias controversas da sua
morte. Na questão do movimento e dos
enquadramentos o filme segue os padrões comuns. Mas no tratamento da cor é
fantástico, talvez por se basear tanto nas obras do artista, utilizam cores
vivas e vibrantes que contrastam com outras mais frias e sombrias.
Entre os atores que participaram
neste filme, a representar as pessoas mais próximas do pintor, estão: Douglas
Booth, Helen McCrory, Saoirse Ronan e Aidan Turner. Direção de fotografia
Tristan Oliver e o compositor da banda sonora, Clint Mansell, que no caso se
encaixa e acompanha muito bem o tom do filme, quase como representa-se a
personalidade de Van Gogh.
Mesmo este filme sendo um filme
que se encaixa tanto para
apreciadores de arte como não apreciadores de arte. Talvez para as
pessoas quem não apreciam assim tanto a arte, o tom documental e biográfico do
filme pode se tornar um pouco entediante e pouco emocional para alguns. Mas
acho que visualmente continua a ser bastante marcante para qualquer um.
O melhor deste filme não é apenas
a estética, mas a forma como contam a historia. Costuma-se dizer que quem nos observa é quem melhor
nos pode dizer/explicar o que se passa connosco. Neste caso não é um narrador
ou uma das personagens que nos conta a historia, como se haveria de esperar num
filme biográfico, são várias identidades com diferentes histórias com Vincent,
que vão criando uma biografia, dos seus últimos anos de vida, através de
pequenas histórias contadas ao longo do filme. Isto é um ponto forte pois não
só conseguimos ver o crime em si por diferentes olhos, mas também quem era
vicente e a imagem que cada pessoa tinha dele. Mas no final do filme chegamos à conclusão que
ninguém o conheceu realmente, pois este continua a ser representado como uma
figura distante, quase mítica.
Durante o
filme é nos apresentado o povo da época, que maior parte convivia com um génio
e nem sabia. Vincent foi completamente desprezado enquanto vivo não tendo qualquer valor na sociedade, mas
após a sua morte tudo o que fez já é ouro e é relembrado. Este aspeto está bem
representado na utilização das cenas a preto e branco e as cores consoante a
cronologia. Não só para fazer o flashback/Analepse, mas também para
fazer essa referencia da altura em que vicente era desprezado e não valorizado
- é tudo representado a preto e
branco e no presente quando este já é reconhecido - tudo tem muitas cores vivas, época em que Van
Gogh já não está na escuridão
e finalmente é reconhecido. Pois infelizmente tal como muitos outros artistas
Vincent Van Gogh só foi reconhecido depois de morto.
Mesmo havendo algumas criticas em
relação ao enredo que, não seria tão bom se não fosse acompanhado por aquela
estética tão valorizada, o tipo de enredo utilizado, o de uma história de crime
continua a ser inesperado pois o esperado para um filme sobre um artista é um
filme completamente biográfico, histórico,
educativo nunca algo que nos leve a questionar a própria história e tentar
resolver o suposto crime. Tal como vicente representou diferentes
personagens em diferentes momentos e contextos, o filme utiliza essas mesmas
pinturas para nos contar em diferentes momentos e contextos as histórias que
estas pessoas nos tinham para contar. Concluindo o enredo escolhido combina, encaixa
com o estilo e tema de pintura de Vincent, o momento, o real e o enquadramento
em especificas personagens. E novamente está presente a frase que Vincent escreveu em uma das suas
ultimas cartas "Bem, a verdade é que não conseguimos expressar-nos se não
através dos nossos quadros".
