segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Onze Minutos

“Onze Minutos”, um livro escrito por Paulo Coelho, um escritor brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro em 1947. Antes de se dedicar à literatura trabalhou como diretor, ator de teatro, compositor e jornalista. Depois de uma longa viagem por todo o mundo Paulo Coelho começou a escrever e o seu sucesso fez-se sentir muito cedo.

“Onze Minutos” é como um conto de fadas para adultos, que se evidencia pela sua abordagem franca e uma profunda sensibilidade, envolta de várias histórias onde o autor desmistificar o amor e a sexualidade. Maria, a personagem principal, sai de casa à procura de aventura e paixões, e é na Suíça, como prostituta, que parte da banalização do amor e do sexo para nos fazer refletir sobre a natureza e a liberdade de sermos nós mesmos.


Maria, oriunda do Nordeste Brasileiro teve uma adolescência muito perturbadora e cheia de desilusões, aprendeu muito cedo que o amor só causa dor e sofrimento. Com o sonho de conhecer Rio de Janeiro juntou durante dois anos dinheiro para concretizar a seu sonho. Durante a sua viagem, na praia de Copacabana, ela desperta a atenção de um empresário suíço, que logo a convida para o acompanhar á Europa, com promessas de a transformar numa estrela muitíssimo bem remunerada. Sempre disposta a arriscar e com a permissão da sua família, Maria segue rumo à Europa. Com o entusiasmo pela oportunidade, a protagonista não lê o contrato com atenção, escapando-lhe que é um trabalho semi-escravo como dançarina numa casa noturna. Em pouco tempo, acabou por se tornar prostituta. Com um percurso semelhante ao de tantas mulheres, Maria amadurece precocemente e acaba por se distanciar cada vez mais das ideias de felicidade que tinha na sua adolescência. «No decorrer de um ano vendendo seu tempo sem poder comprá-lo de volta», como ela diz, a jovem aprende a ser prática e realista, vacinada contra ilusões. Em vez de sonhos, ela passou a ter um objetivo: juntar dinheiro para comprar uma fazenda no Brasil. E o seu corpo transformou-se apenas na fonte de rendimentos necessária para isso.

Paralelamente à narrativa, há o diário de Maria, onde ela anota as conclusões tiradas da sua peregrinação às avessas. «Meu livro não se propõe a ser um estudo da prostituição», diz Paulo Coelho. Procurei fugir por completo de qualquer conotação moralista, de julgar o personagem principal pela escolha que fez. O que me interessa, verdadeiramente, é a abordagem das pessoas com relação ao sexo.»

De facto, dizer que “Onze Minutos” é a história de uma prostituta seria uma definição muito simplista. Mais importante que a trajetória de Maria é a aprendizagem que ela é capaz de extrair de suas duras experiências no exterior. Ela escreve em seu diário: «Os evangelhos e todos os textos sagrados de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus (...) - é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque não queremos e não podemos esquecer quem somos.»

Uma história tão real para (re)pensar no porquê de muitas coisas, é perfeita para nos fazer refletir sobre o que somos, o que queremos, o que amamos e por que é que amamos. Um livro que nos faz pensar que ninguém é dono de nada, tudo é uma ilusão porque quem já perdeu alguma coisa que tinha como garantida, acaba por aprender que nada lhe pertence. Porquê? Porque ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.



Referências: