“Onze Minutos”,
um livro escrito por Paulo Coelho, um escritor brasileiro que nasceu no Rio de
Janeiro em 1947. Antes de se dedicar à literatura trabalhou como diretor, ator
de teatro, compositor e jornalista. Depois de uma longa viagem por todo o mundo
Paulo Coelho começou a escrever e o seu sucesso fez-se sentir muito cedo.
“Onze Minutos” é
como um conto de fadas para adultos, que se evidencia pela sua abordagem franca
e uma profunda sensibilidade, envolta de várias histórias onde o autor
desmistificar o amor e a sexualidade. Maria, a personagem principal, sai de
casa à procura de aventura e paixões, e é na Suíça, como prostituta, que parte
da banalização do amor e do sexo para nos fazer refletir sobre a natureza e a
liberdade de sermos nós mesmos.
Maria, oriunda do
Nordeste Brasileiro teve uma adolescência muito perturbadora e cheia de
desilusões, aprendeu muito cedo que o amor só causa dor e sofrimento. Com o
sonho de conhecer Rio de Janeiro juntou durante dois anos dinheiro para
concretizar a seu sonho. Durante a sua viagem, na praia de Copacabana, ela
desperta a atenção de um empresário suíço, que logo a convida para o acompanhar
á Europa, com promessas de a transformar numa estrela muitíssimo bem
remunerada. Sempre disposta a arriscar e com a permissão da sua família, Maria
segue rumo à Europa. Com o entusiasmo pela oportunidade, a protagonista não lê
o contrato com atenção, escapando-lhe que é um trabalho semi-escravo como
dançarina numa casa noturna. Em pouco tempo, acabou por se tornar prostituta. Com
um percurso semelhante ao de tantas mulheres, Maria amadurece precocemente e
acaba por se distanciar cada vez mais das ideias de felicidade que tinha na sua
adolescência. «No decorrer de um ano vendendo seu tempo sem poder comprá-lo de
volta», como ela diz, a jovem aprende a ser prática e realista, vacinada contra
ilusões. Em vez de sonhos, ela passou a ter um objetivo: juntar dinheiro para
comprar uma fazenda no Brasil. E o seu corpo transformou-se apenas na fonte de rendimentos
necessária para isso.
Paralelamente à
narrativa, há o diário de Maria, onde ela anota as conclusões tiradas da sua
peregrinação às avessas. «Meu livro não se propõe a ser um estudo da
prostituição», diz Paulo Coelho. Procurei fugir por completo de qualquer
conotação moralista, de julgar o personagem principal pela escolha que fez. O
que me interessa, verdadeiramente, é a abordagem das pessoas com relação ao
sexo.»
De facto, dizer que “Onze Minutos” é a história de uma prostituta
seria uma definição muito simplista. Mais importante que a trajetória de Maria
é a aprendizagem que ela é capaz de extrair de suas duras experiências no
exterior. Ela escreve em seu diário: «Os evangelhos e todos os textos sagrados
de todas as religiões foram escritos no exílio, em busca da compreensão de Deus
(...) - é nesse momento que os livros são escritos, os quadros pintados, porque
não queremos e não podemos esquecer quem somos.»
Uma história tão real para (re)pensar no porquê de muitas coisas, é
perfeita para nos fazer refletir sobre o que somos, o que queremos, o que
amamos e por que é que amamos. Um livro que nos faz pensar que ninguém é
dono de nada, tudo é uma ilusão porque quem
já perdeu alguma coisa que tinha como garantida, acaba por aprender que nada
lhe pertence. Porquê? Porque ninguém
perde ninguém, porque ninguém possui ninguém.
Referências: