terça-feira, 9 de janeiro de 2018

USK: O prazer de rabiscar

USK: O prazer de rabiscar
Recensão a Portugal, por Urban Sketchers, Zestbooks Lda e Grafisol Portugal, 1ª ed. bilingue português-inglês, janeiro de 2017, 271 p.
(Imagens da capa e da contracapa)
«Desenhar é contar uma história, eternizar um momento, partilhar experiências e sensações», lê-se na abertura do Preâmbulo deste fascinante volume que reune contribuições avulsas de 83 autores desenhistas, na sua maioria amadores, de dez núcleos regionais dos USK (Urban Skatchers) do país. Para os leitores menos informados, a aba do livro apresenta os oito pontos do Manifesto Internacional dos USK, uma associação sem fins lucrativos de um coletivo de autores que se comprometem a respeitar o Manifesto e que desenham em diários gráficos as cidades onde vivem e os sítios por onde viajam.
Em 2017, a USk internacional comemorou o seu 10º aniversário, com uma agenda de atividades intensamente preenchida, dispersa por todos os continentes e latitudes. Esta edição pretende assinalar essa comemoração, no contexto nacional.
Actualmente, existem mais de 150 grupos oficiais USk em mais de 35 países. Em Portugal, contam-se 14 grupos regionais, para além da  unidade nacional da Usk Portugal Association.
Na página internacional (http://www.urbansketchers.org), o leitor poderá encontrar informação detalhada sobre as atividades dos centros nacionais e sobre os simpósios internacionais anuais dos USK. Chicago foi a cidade anfitriã do simpósio de 2017; o de 2016 ocorreu em Manchester e o de 2015 em Singapura, para nomear apenas os mais recentes.  E refiro este historial, porque me parece oportuno chamar a atenção para a realização do próximo simpósio internacional, que terá lugar em Portugal, na cidade do Porto, de 18 a 21 de Julho.
Existe um blogue nacional (http://urbansketchers-portugal.blogspot.pt/), no qual é possível aceder a cada um dos 14 grupos regionais do país, através da respetiva página no Facebook ou de blogue próprio, consultar o Manifesto do USK e a agenda das várias iniciativas programadas. De entre essas iniciativas, destaca-se o programa «(a)Riscar o Património/Heritage Sketching», uma iniciativa da Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos USK Portugal, integrada nas Jornadas Europeias do Património, que decorre em todo o país, durante o mês de Setembro e da qual resulta uma exposição itinerante que percorre vários espaços culturais do país e pode ser visitada em  https://ariscaropatrimonio.wordpress.com/

«Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar». A afirmação é de John Ruskin, crítico de arte inglês, do séc. XIX. Dos núcleos regionais do USK, conheço de perto o da Região Açores, por ter nele participado regularmente nos anos de 2015 e 2016. Eramos um grupo “policromático”: gente muito jovem, de meia idade e idosos; cultos e semi-analfabetos, “artistas” profissionais, amadores e iniciantes.
Numa recente ida, ocasional, à Gulbenkian, dei de frente, num escaparate, com  Portugal, por Urban Sketchers e não resisti a comprar o livro. Folhear as suas 271 páginas foi reviver uma vivência de partilha de experiências e emoções: o prazer de tracejar, sem outro intento que não seja o prazer, as sensações visuais e de movimento da realidade observada, a deixarem-se escapar, livremente, na flexão dos lápis, pincéis e tintas por entre os dedos. E de tudo isto este livro é imagem e espelho.
Portugal, por Urban Sketchers é um depoimento da arte enquanto processamento de sensações e emoções   simultaneamente individuais e coletivas. Porque a realidade, o “objeto” observado por dezenas de participantes é o mesmo e, todavia, a expressão e fixação gráfica dessa realidade é tão distinta, variada e imprevisível quanto o número de participantes.
(Reprodução da p. 246 do volume)
Luísa Linhares de Deus e Martinho Guimarães – dezembro de 2018 – 11184