USK: O prazer de rabiscar
Recensão a Portugal, por Urban Sketchers, Zestbooks
Lda e Grafisol Portugal, 1ª ed. bilingue português-inglês, janeiro de 2017, 271
p.
(Imagens da capa e da contracapa)
«Desenhar é contar uma história, eternizar um momento,
partilhar experiências e sensações», lê-se na abertura do Preâmbulo deste
fascinante volume que reune contribuições avulsas de 83 autores desenhistas, na
sua maioria amadores, de dez núcleos regionais dos USK (Urban Skatchers) do
país. Para os leitores menos informados, a aba do livro apresenta os oito
pontos do Manifesto Internacional dos USK, uma associação sem fins lucrativos
de um coletivo de autores que se comprometem a respeitar o Manifesto e que desenham
em diários gráficos as cidades onde vivem e os sítios por onde viajam.
Em 2017, a USk internacional comemorou o seu 10º
aniversário, com uma agenda de atividades intensamente preenchida, dispersa por
todos os continentes e latitudes. Esta edição pretende assinalar essa
comemoração, no contexto nacional.
Actualmente, existem mais de 150 grupos oficiais USk em
mais de 35 países. Em Portugal, contam-se 14 grupos regionais, para além
da unidade nacional da Usk Portugal
Association.
Na página internacional (http://www.urbansketchers.org), o leitor poderá encontrar
informação detalhada sobre as atividades dos centros nacionais e sobre os
simpósios internacionais anuais dos USK. Chicago foi a cidade anfitriã do
simpósio de 2017; o de 2016 ocorreu em Manchester e o de 2015 em Singapura,
para nomear apenas os mais recentes. E refiro
este historial, porque me parece oportuno chamar a atenção para a realização do
próximo simpósio internacional, que terá lugar em Portugal, na cidade do Porto,
de 18 a 21 de Julho.
Existe um blogue nacional (http://urbansketchers-portugal.blogspot.pt/), no qual é possível aceder a
cada um dos 14 grupos regionais do país, através da respetiva página no
Facebook ou de blogue próprio, consultar o Manifesto do USK e a agenda das
várias iniciativas programadas. De entre essas iniciativas, destaca-se o
programa «(a)Riscar o Património/Heritage Sketching», uma iniciativa da
Direção-Geral do Património Cultural, com apoio dos USK Portugal, integrada nas
Jornadas Europeias do Património, que decorre em todo o país, durante o mês de
Setembro e da qual resulta uma exposição itinerante que percorre vários espaços
culturais do país e pode ser visitada em https://ariscaropatrimonio.wordpress.com/ :
«Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender
a desenhar». A afirmação é de John Ruskin, crítico de arte inglês, do séc. XIX.
Dos núcleos regionais do USK, conheço de perto o da Região Açores, por ter nele
participado regularmente nos anos de 2015 e 2016. Eramos um grupo
“policromático”: gente muito jovem, de meia idade e idosos; cultos e
semi-analfabetos, “artistas” profissionais, amadores e iniciantes.
Numa recente ida, ocasional, à Gulbenkian, dei de frente, num
escaparate, com Portugal, por Urban Sketchers e não resisti a comprar o livro. Folhear
as suas 271 páginas foi reviver uma vivência de partilha de experiências e
emoções: o prazer de tracejar, sem outro intento que não seja o prazer, as
sensações visuais e de movimento da realidade observada, a deixarem-se escapar,
livremente, na flexão dos lápis, pincéis e tintas por entre os dedos. E de tudo
isto este livro é imagem e espelho.
Portugal, por
Urban Sketchers é um depoimento da arte enquanto processamento de sensações e
emoções simultaneamente individuais e
coletivas. Porque a realidade, o “objeto” observado por dezenas de
participantes é o mesmo e, todavia, a expressão e fixação gráfica dessa
realidade é tão distinta, variada e imprevisível quanto o número de
participantes.
(Reprodução da p. 246 do volume)
Luísa Linhares de Deus e Martinho Guimarães – dezembro de
2018 – 11184


