terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A amplitude da cor, ROTHKO



             Mark Rothko (1903-1970) faz parte da geração de artistas americanos que revolucionaram por completo a essência e o design da pintura abstrata.
 No seu percurso artístico existe uma evolução estilística, desde um repertório visual mais figurativo a um estilo abstrato enraizado na relação ativa do observador com a pintura. Este último período, é exemplo do renascimento de uma nova mudança radical, na pintura, nesta época.
                A última fase artística de Rothko pela qual ele fica conhecido, insere-o no movimento americano do expressionismo abstrato; que é um movimento importante a nível artístico americano, pois foi a partir deste que a América começou a ganhar lugar, que até então se mantinha focado nas correntes europeias.
                Rothko insere nas suas obras uma forte relação com o pensamento do observador e as suas emoções. O objetivo principal com que ele estava preocupado era a experiência do observador enquanto recetor, para lá da compreensão verbal. É curioso notar o que o artista expressa quando diz que “ A apreciação da arte é um verdadeiro casamento de mentes. E na arte, como no casamento, a ausência de consumação é fundamento para anulação”.
                É interessante neste movimento, no expressionismo abstrato, que o verdadeiro objetivo não era o produto resultante do ato de pintura, pelo contrário era o conseguir expressar sentimentos através deste ato. Rothko inseria-se numa vertente deste movimento chamado, “pintura de campo de cor”, onde a cor sustinha o forte cargo de transmitir a emoção. E de facto, nas pinturas do artista, nos quadros, onde formas cheias flutuam no espaço, a cor, é sem dúvida, a razão.
                Porém é de grande importância, a nossa presença perante as obras para conseguirmos receber e perceber na plenitude este pensamento. Esta troca de emoções que nos enchem o íntimo e o deixam a transbordar.
 No Tate Modern, ao entrar na sala Rothko sente-se de facto isto. A dimensão, não só dos quadros como também da cor, reflete- se em nós e deixa-nos alienados do tempo e do espaço. Ficamos fechados, compenetrados naquele momento. Um momento que nos asfixia e isola, uma cor que nos consegue transmitir algo inexplicável, sufocante. Cheio. Contudo, ao mesmo tempo temos a sensação de que são os pensamentos do nosso subconsciente que se refletem nestas formas sem lugar e ecoam no espaço.
 
 

O mesmo acontece com a capela Rothko e em alguns dos últimos trabalhos do artista, onde parece estar guardada a melancolia e solidão sentida pelo mesmo, nos últimos anos da sua vida, e é partilhada com que não se limita e observa.
É incrível e um mistério a forma como o trabalho de Rothko cria uma profundidade espacial suficiente para o observador meditar, dialogar, discutir no seu íntimo, atingindo-o de uma forma tão direta e pessoal, com tão poucas variações na paleta, contudo criando sentimentos de tal amplitude.