2º Post
Desde os primórdios da história das primeiras civilizações, que a escravatura esteve presente como prática comum de forma a obter através de meios forçados não só, mão de obra para a construção de monumentos e edifícios, como também para a satisfação dos deleites e necessidades de quem detém o poder. Podemos observar o exemplo da civilização romana, esta servia-se de inimigos capturados durante campanhas militares, a fim de os comercializar como escravos em Roma. No entanto, ao contrário do que possamos pensar, considerando os estereótipos mais recentes de escravatura, os romanos tinham preferência pelos escravos de etnia norte europeia, uma vez que a sua pele clara e cabelos loiros dariam uma aparência mais limpa à domus (casa romana). E temos ainda o exemplo da civilização egípcia, que durante séculos escravizou a sua própria população.
Conclui-se assim que apesar da escravatura ter sido um dos principais factores que levaram ao preconceito racial na era moderna, a sua origem não assenta no racismo. Um dos exemplos mais recentes de escravatura foi o das plantações de algodão, maioritariamente no sul dos Estados Unidos, até ao final do século XIX. Nesta fase da história, já está implícito a segregação dos indivíduos de etnia africana e semelhantes, assim como o falso e moralmente incorrecto reconhecimento das pessoas de pele clara (caucasianos/arianos) como seres superiores. Considerando estes factores pode-se constatar que o preconceito pelas pessoas de "raça negra", (uma denominação que não concordo pois vai contra os meus ideais) é relativamente recente.
Mas porque é que existe racismo? Que razões poderia um ser humano ter para desprezar outro pela cor da sua pele? A verdade é que não há razão que justifique este tipo de mentalidade. Porém acredito que cada vez mais pensamentos retrógrados desta natureza, vão-se lentamente desvanecendo no passado graças à consciencialização das novas gerações. Em primeiro lugar é imperativo esclarecer que não existe algo como "raça negra" da mesma forma que não existe "raça branca". Este tipo de distinção racial é extremamente incorrecta, pois este género de nominação é utilizada para a classificação de animais e não para a diferenciação de pessoas. O que realmente existe e será correto chamar é raça humana. Apesar de ainda haver inúmeras culturas que aceitam este tipo de distinção, principalmente as culturas ocidentais onde a maioria dos indivíduos mantém uma atitude de superioridade perante outras "raças".
Então reflictamos, o que é racismo? De acordo com a definição de racismo, um sujeito racista é aquele que prejudica, discrimina, e tem um comportamento antagonista directamente contra alguém de uma "raça" diferente, baseando-se na crença de que a sua "raça" é superior. Constatando esta definição, qualquer pessoa que viva em pleno século XXI, deveria ter a capacidade de analisar este comportamento como extremamente subdesenvolvido e primitivo. No entanto, se partirmos do princípio de que não existem "raças" entre seres humanos, não poderá haver racismo. Eu acredito que o primeiro passo para uma sociedade sem discriminação é reconhecer todos os seres humanos como uma única raça, ou seja, eliminar por completo a distinção entre pessoas com a pele de cor diferente. Porque é simplesmente isso, diferenças na pigmentação da pele.
Porém, ignorar o facto de que um indivíduo tem a pele de uma cor mais escura ou mais clara, é também racismo. Para erradicar o conceito de racismo, é necessário uma aceitação geral das diferentes características humanas, tal como a cor do cabelo, e não interpretar uma constatação de uma determinada característica física como uma ofensa. Se por exemplo, eu observar alguém ruivo e possivelmente constatar o facto de que essa pessoa é ruiva, não estarei a descriminar a pessoa, e não existirá razão para ofensa. O mesmo se deve passar com o tom de pele de diferentes indivíduos.
Recapitulando, para progredirmos numa sociedade sem discriminação, segregação e preconceito é fundamental: primeiro, ignorar os ideais retrôgrados transmitidos entre gerações com o fim de rotular indivíduos; segundo, esquecer por completo a denominação de raças; terceiro, assumir a igualdade entre todos como indivíduos de direitos iguais; quarto, aceitar as diferentes características entre pessoas como algo genérico; e por último, mudar a mentalidade da sociedade para que não haja ofensa relacionada com diferentes tons de pele.