Um apostador desafia os seus adversários, afirmando que consegue dar a volta ao mundo em 80 minutos.
O livro de Júlio Verne "A Volta ao Mundo em 80 Minutos" inicia com esta situação e Filipe La Féria, a partir do mote da obra de Júlio Verne, coloca o lorde inglês Fogg - interpretado pelo competente João Baião - e o seu assistente, o francês Passepartout, a conduzir o público numa louca viagem pelo mundo, percorrendo todos os pontos do globo, revisitando as melodias e canções que fazem parte da memória coletiva de cada país, numa narrativa eminentemente popular e abrangente a todos os gostos, num local repleto de glamour – a Sala Preta e Prata do Casino do Estoril.
O passado alia-se com o presente num espetáculo que engloba o teatro, o cinema, a música, o bailado e a acrobacia, levando os espetadores a partirem com as personagens de Phileas Fogg e Passepartout pelo Mundo. A viagem começa em Portugal e logo paramos em Espanha, para partirmos pela Europa fora, passando por África, Ásia e pelas Américas.
Cada Continente tem os seus países e protagonistas a marcarem posição em palco com recurso a vídeos e ao som de temas e danças alusivos a cada nação.
Cantores, bailarinos e atores cumprem bem o seu papel, num espetáculo com grande investimento em figurinos, cenografia e vídeo. O registo oscila entre o musical e o revisteiro, com momentos de interação direta com a audiência.
Este espetáculo revisita todos os géneros musicais, da canção romântica ao rock, do fado ao rap, percorrendo a identidade e as formas de cada nação.
São prometidos 80 minutos inesquecíveis a cada espetador e a viagem realmente tem essa duração, mas existe um antes, um durante e um depois com alguns extras pelo meio que vão prolongando a viagem de Phileas Fogg e o seu Passepartout.
La Féria faz a união entre o show glamoroso de casino e a comédia musical com a finalidade de entreter o público e, com um elenco com menos atores e bailarinos do que é costume nos seus espetáculos, encheu de cor e movimento aquele palco.
Talvez uma das melhores prestações de bailado a que assisti num musical de La Féria.
Com grandes vozes e bons momentos a solo e em dupla, é um musical diferente, divertido, alegre e com muito humor. Com uma qualidade interpretativa ímpar, João Baião é o protagonista de ordem.
Como menos bom, considero que, apesar de a fórmula do autor-encenador se destinar assumidamente a entreter o grande público, os textos contrastam por vezes com a qualidade de tudo o resto, com um humor um pouco datado, sendo que, mesmo as críticas à realidade, política ou televisiva, estão, quase sempre, a um nível básico, pouco elaborado.
Saliento que esta aposta é nacional, não é daqueles espetáculos formatados, testados por outros países e que depois alcançam o sucesso em mais um país.
As cores, as elevações de palco, o poço que surpreende com cenários que nascem como explosões e os acrobatas a manifestarem o que tão bem sabem fazer mesmo por cima do público, são recursos que La Féria usa e abusa nas suas apresentações e, desta vez, não foi exceção.
Definitivamente, esta é uma proposta de luxo para uma tarde ou noite bem passada.
