
Nesta segunda feira dia 8/1/2018 visitei a exposição Escher que estará no Museu de Arte Popular de Lisboa até fins de maio. Permitindo-me algum elemento de surpresa, fui sem grande pesquisa prévia, apenas com o que eu já conhecia do artista: que fazia incríveis obras de ilusão de ótica. Nesta resenha pretendo falar um pouco das suas obras que mais me chamaram a atenção na exposição, e da exposição em si, como um evento cultural.
Agora sei que Escher nasceu em 1898 na Holanda, e mudou-se para a itália em 1922. Viajou pelo país e por Espanha, e acabou por acomodar-se em Roma com a sua nova esposa e futura mãe de seus filhos. Era filho de um engenheiro civil e estudou arquitetura e artes decorativas. As maiores influências na sua arte são portanto as paisagens dos países onde viveu e visitou, a arquitetura do sul da Europa, e padrões matemáticos e geométricos.
A exposição está organizada por ordem cronológica, e começamos então com as paisagens holandesas em xilogravura. Com a passagem para as paisagens italianas, a coleção chamada "Roma Noturna", os seus trabalhos começam a ficar mais geométricos, com maior contraste de tons, e meticulosamente texturados.
Mais a frente vemos como o artista começa a interessar-se pelos espaços vazios, pelo preenchimento do plano e pelo encaixe das formas. Isto leva-lhe a uma das suas obras mais famosas, a Metamorfose II, onde começa um ciclo com a palavra metamorfose em si, e através de quadrados cubos e jogos geométricos, passa-a por cidades, peixes, aves, e tabuleiros de xadres antes de voltar a si mesma.
A próxima e última fase do trabalho exposto do artista é a sua fase surrealista e expressioninsta, onde Escher decide que é mais poderoso que as leis da física, e cria os seus jogos de perspetivas impossíveis, como a Cascata e as Escadas. Esta fase do seu trabalho traz-me um específico gozo: gosto da ideia do artista ser capaz de dobrar a realidade ao seu gosto estético pessoal.
As minhas obras favoritas, e as que perdi mais tempo a observar, foram a Torre de Babel, Estrelas, e Casca. A Torre de Babel é apenas mais um exemplo de como o artista consegue ter uma atenção atordoante ao detalhe e às suas brincadeiras de perspetiva: foi apenas a que me chamou mais a atenção. Casca é uma pintura semelhate a uma das suas mais famosas, mas deixou-me mais interessada do que a outra pela utilização da cor (tons quentes, que lembram madeira), ajudam a pintura a sair da folha e vir enrrolar-se à nossa volta. Por fim, a minha preferida, talvez mais por gosto pessoal do que por particular admiração pela técnica utilizada, a obra Estrelas, onde vejo um caráter engraçado vindo dos lagartos misturado com alguma clautrofobia de estar-se num espaço tão amplo como o espaço. Prova de forma não tradicional (para o próprio artista) todos os princípios que acaba por passar nas suas outras obras mais conhecidas.
Uma das melhores partes da exposição é que enquanto o bilhete pode parecer caro à primeira vista, vem com direito a um audioguia; a coleção exposta é bastate vasta, com elementos interativos pelo caminho, bem como quadros explicativos das técnicas e conceitos principais utilizados pelo artista (formas geométricas simples e complexas, leis do cheio vazio, da continuidade, do côncavo e convexo). Foi incrívelmente interessante no fim poder ver posters e arte contemporânea com notórias influências de Escher: desde posters do IKEA a capas de álbuns.
É em suma uma grande experiência qual recomendo a todos, é como beber um shot de cultura.
1- Casca, 1995
2- Fotografia da exposição, álbuns que utilizaram a arte de Escher
3- Estrelas, 1948
