terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O Sorriso de Mona Lisa

   O Sorriso de Mona Lisa (ou Mona Lisa Smile) é um filme americano de 2003, produzido por Revolution Studios e Columbia Pictures. 


   O filme concentra-se na vida de uma professora de História da Arte, Katherine Watson, e na sua perspectiva sobre a sociedade em que vive, na época dos anos 50. Durante o filme vemos como o seu pensamento controverso sobre vários aspetos tradicionalistas da sociedade afeta as suas alunas e como as leva a pensar e a desenvolver as suas próprias opiniões sobre a época.

   No Inicio do filme, a professora apresenta-se na sua primeira aula, e é imediatamente desprezada pelas alunas, que tentam provar que são mais inteligentes que ela. Apercebendo-se disso, ela mostra uma obra de arte que as escandaliza (Carcaça de Carne - Soutine). Neste momento, ela começa a fazer com que as suas alunas pensem sobre o que é considerado arte, e o que não é, encoraja-as a pensarem de forma diferente e a desafiarem, descartarem o que lhes era ensinado sobre a Arte. 
   De todas as cenas em que se mostram as aulas de Katherine com as suas alunas, acho esta primeira cena a mais importante, pois acaba por ser uma comparação, ou quase uma metáfora para o pensamento da época sobre o papel da mulher na sociedade. Ao longo do filme, para além da vida de Katherine, mostram-nos também a vida de 4 das suas alunas, cada uma com os seus problemas pessoais, e como elas desenvolvem uma relação tão próxima com a professora que não deixam de ser afetadas por ela e pelo seu pensamento. Com isto, elas também acabam por mudar as suas visões sobre a sociedade. O filme fala-nos também da colega de casa de Katherine, uma ex enfermeira da faculdade que, para além de ser homossexual, foi despedida por distribuir contraceptivos às alunas, o que era algo considerado promíscuo. Tudo isto visto, de certa forma, da perspectiva de Katherine, o que me intrigou bastante, pois, na minha opinião, mais importante que a vida da professora, eram as vidas das personagens que ela influenciava e o impacto que ela deixou.

   Queria também destacar dois casos de duas alunas principais, Betty Warren e Joan Brandwyn. Betty estava prestes a casar e viver a sua vida como dona de casa, como era suposto naquela época. Betty era a que teria a vida perfeita, com a sua amiga Joan. É uma das cenas que considero mais importantes pois Betty acaba por não se casar e seguir com os seus estudos. Apesar de ser a que mais desprezava a professora, foi a que Katherine mais influenciou. No entanto, a cena que definitivamente mais me marcou foi quando a Joan diz que se quer casar e ser dona de casa. Ela respeitava Katherine e as suas opiniões controversas, e ela também começou a ter um olhar diferente sobre a sociedade, mas ela não estava a ser obrigada a casar-se, como a Betty. Achei um dos momentos mais importantes pois, no fundo, ela ia fazer aquilo que ela queria, e com um marido que a respeitava e a tratava, não como inferior, mas igual a ele, e isto é, para mim, no que se baseia o feminismo.


   Por ter tido tanto impacto na vida destas alunas, elas acabam por desenvolver uma relação de amizade com Katherine, que, no fim, foi despedida por ter uma ideologia tão diferente da que era imposta à sociedade. Este filme marcou-me bastante, e interessou-me imenso a relação que a História da Arte acaba por ter com a visão da mulher na época. O que era instituído aquelas alunas (e à sociedade no geral) sobre ambos os conceitos estava a ser, no fundo, descartado, duvidado. É, sem dúvida, um filme que recomendo ver.