segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Concerto de Ano Novo – Orquestra Metropolitana de Lisboa

A Orquestra Metropolitana de Lisboa mantém uma programação regular desde 1992. Tem como diretores: António Mega Ferreira (executivo), Pedro Amaral (artístico) e Nuno Bettencourt Mendes (pedagógico). Sediada em Lisboa, faz deslocações frequentes a cidades de todo o País. Apresenta-se em eventos públicos relevantes – ex. Festival Dias da Música, CCB. Tem gravados mais de uma dezena de CDs – um dos quais é disco de platina. Colabora com inúmeros maestros e solistas de reputação nacional e internacional.

7 de Janeiro de 2018 – Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz

Um concerto de Ano Novo é:
“Um palco de sons que acrescenta sentido aos sentimentos e ás reflexões de um momento especial.”

Constituído pela apresentação de 13 obras, que percorrem universos musicais diferentes, partilhando o fascínio pela arte do movimento e evocando as valsas e polcas da família Strauss, o bailado clássico Quebra-Nozes de Tchaikovsky, as danças tradicionais O Capricho Italiano, as fanfarras militares e tarantelas que evocam Roma, as festas populares em Danças Eslavas de Dvofak, as danças pastoris da região polaca e os amores trágicos de Pedro e Inês, no poemeto sinfónico Inês composto por David de Sousa, um dos fundadores da Orquestra Sinfónica de Lisboa, em 1913.

Foi um programa exuberante em ritmos e melodias evocando formas de dança. Enlevei-me com o concerto que, na variedade de obras apresentadas, teve, a meu ver, um ponto essencial comum: a empatia gerada entre o maestro, os músicos e o público.

O maestro Sebastian Perlowski, internacionalmente conhecido e premiado, apresentou-se informal e sorridente, como uma parte de um todo, o que mais contribuiu para apreciar a sua genialidade e mestria na condução da Orquestra, criando um impacto surpreendente.

Os 54 músicos – 15 tipos de instrumentos – comungavam no movimento e atmosfera grandiosa e profunda que o maestro inspirava.

O público, a quem foi proposto pelo maestro um tempo “lúdico” de colaboração voluntária: “We need a brave conductor!”, aderiu em pleno, contagiado pela exuberância/simplicidade de Sebastian Perlowski.
O mesmo público que, em silêncio absoluto aquando da execução do repertório musical, aplaudia de pé no fim de cada obra. Empatia, enlevo e elevação, foi o que senti ao longo deste evento.

Uma referência especial á execução de Poemeto Sinfónico Inês de David de Sousa (1880-19018), compositor figueirense. Foi apresentada pelo maestro como “diferente, na atmosfera que cria” e suscitou em mim uma expetativa especial, em que maestro e músicos pareciam comungar do sentimento subjacente à música.

Ao longo da atuação, senti-me a “visualizar” os protagonistas Pedro e Inês: a sua comunhão amorosa, ao som de acordes e melodias suaves; o brutal e sanguinário desfecho, num grito profundo e prolongado de dor, a que os instrumentos, em uníssono, tão bem representaram.

Entre estes dois momentos, houve um terceiro, de silêncio absoluto. E, nesta pausa da música e de silêncio na audiência, que se envolveram num todo, resumo numa frase esta minha vivência neste evento:
A música invadiu-me a alma!