Concerto de Ano Novo – Orquestra Metropolitana de Lisboa
A Orquestra Metropolitana de Lisboa mantém uma programação regular desde
1992. Tem como diretores: António Mega Ferreira (executivo), Pedro Amaral
(artístico) e Nuno Bettencourt Mendes (pedagógico). Sediada em Lisboa, faz
deslocações frequentes a cidades de todo o País. Apresenta-se em eventos
públicos relevantes – ex. Festival Dias da Música, CCB. Tem gravados mais de
uma dezena de CDs – um dos quais é disco de platina. Colabora com inúmeros
maestros e solistas de reputação nacional e internacional.
7 de Janeiro de 2018 – Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz
Um concerto de Ano Novo é:
“Um palco de sons que
acrescenta sentido aos sentimentos e ás reflexões de um momento especial.”
Constituído pela
apresentação de 13 obras, que percorrem universos musicais diferentes,
partilhando o fascínio pela arte do movimento e evocando as valsas e polcas da
família Strauss, o bailado clássico Quebra-Nozes
de Tchaikovsky, as danças tradicionais O
Capricho Italiano, as fanfarras militares e tarantelas que evocam Roma, as
festas populares em Danças Eslavas de
Dvofak, as danças pastoris da região polaca e os amores trágicos de Pedro e
Inês, no poemeto sinfónico Inês
composto por David de Sousa, um dos fundadores da Orquestra Sinfónica de
Lisboa, em 1913.
Foi um programa
exuberante em ritmos e melodias evocando formas de dança. Enlevei-me com o
concerto que, na variedade de obras apresentadas, teve, a meu ver, um ponto
essencial comum: a empatia gerada entre o maestro, os músicos e o público.
O maestro Sebastian
Perlowski, internacionalmente conhecido e premiado, apresentou-se informal e
sorridente, como uma parte de um todo, o que mais contribuiu para apreciar a
sua genialidade e mestria na condução da Orquestra, criando um impacto
surpreendente.
Os 54 músicos – 15 tipos
de instrumentos – comungavam no movimento e atmosfera grandiosa e profunda que
o maestro inspirava.
O público, a quem foi
proposto pelo maestro um tempo “lúdico” de colaboração voluntária: “We need a
brave conductor!”, aderiu em pleno, contagiado pela exuberância/simplicidade de
Sebastian Perlowski.
O mesmo público que, em
silêncio absoluto aquando da execução do repertório musical, aplaudia de pé no
fim de cada obra. Empatia, enlevo e elevação, foi o que senti ao longo deste
evento.
Uma referência especial á
execução de Poemeto Sinfónico Inês de David de Sousa (1880-19018), compositor
figueirense. Foi apresentada pelo maestro como “diferente, na atmosfera que
cria” e suscitou em mim uma expetativa especial, em que maestro e músicos
pareciam comungar do sentimento subjacente à música.
Ao longo da atuação,
senti-me a “visualizar” os protagonistas Pedro e Inês: a sua comunhão amorosa,
ao som de acordes e melodias suaves; o brutal e sanguinário desfecho, num grito
profundo e prolongado de dor, a que os instrumentos, em uníssono, tão bem
representaram.
Entre estes dois
momentos, houve um terceiro, de silêncio absoluto. E, nesta pausa da música e
de silêncio na audiência, que se envolveram num todo, resumo numa frase esta
minha vivência neste evento:
A música invadiu-me a
alma!
