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| Metropolis 1927 |
A representação de um nu feminino onde a mulher não
tem qualquer acção na cena, seja no cinema ou num quadro, não representa aquela mulher,
mas sim uma mulher como objecto. Um corpo submisso destinado apenas à satisfação
de quem olha, tendo o espectador o total controlo sobre o mesmo.
Ao longo dos tempos este modo de representar o
corpo feminino tem levado a uma percepção de que o corpo é visto e de como é
visto. Ou seja, a mulher cresce numa sociedade que está moldada à visão do
homem, uma sociedade patriarcal. Desde pequena ela aprende a procurar a
aprovação do seu príncipe, já sabe quais as poses mais favorecedoras para uma
fotografia, como é que o homem a gosta de ver. A representação contínua da
mulher como objecto leva a obsessões e distúrbios das mulheres em relação ao seu
corpo.
Este modo de ver, na minha opinião, incute desde
pequenos, tanto na mulher como no homem, necessidades e vazios; explora neles os
seus prazeres mais primários. Este olhar perpetua assim a mulher como objecto do
homem para alimentar uma industria, uma máquina que não quer parar.
