É possível
separar a rosa de seu vermelho? Separar as flores de seus perfumes? Separar o
céu do mar? Separar as cores do arco-íris? Separar a lua da noite e a noite das
estrelas? Separar o dia do sol e o sol da vida? Separar o beija-flor de uma
flor e os pássaros do céu? Separar os peixes do mar e o amor dos contos de
fadas?
É possível?
Então porque
fazemos isso com a arte?
Expressão
máxima da maior beleza infinda que o ser humano é capaz de criar. Porque
separam a arte como quem separa a noite do dia?
Doce encanto
de raro esplendor, a arte dignifica o homem, poetiza a vida, ameniza as dores,
perfuma a alma, alimenta o espírito, alivia o corpo.
A arte é
sagrada, é intensa totalidade, pois tudo é arte. Os pássaros que nos ensinam a
cantar, as flores que nos ensinam a amar, os animais que nos ensinam a ser, a
lua que nos ensina a brilhar, as estrelas que nos orientam e o sol que nos dá
calor. O mar que nos ensina a remar com as pequenas e frágeis embarcações que
somos, o céu e a terra a nos proteger, tudo é arte.
Se toda
beleza é vida, se até a morte é uma arte, se tudo é uma totalidade, porque
separam a arte em fragmentos inúteis? Porque distinguem a música da cena e a
cena da música, se tudo é uma coisa só? No universo nada existe sozinho. É
prepotência do ser humano achar-se auto-suficiente. E se os artistas nasceram
dispostos ao dom da sensibilidade, como podem eles deixar-se cair em arrogância
ao tentar separar aquilo que lhes é mais belo e sagrado: A sua arte!
Fragmentando-a tolamente em pequenas partículas tristes e sozinhas, separadas
entre si, onde música é música, teatro é teatro, dança é dança, cinema é
cinema, artes plásticas não é poesia e nem literatura. Isso é tão absurdo
quanto querer separar os peixes do mar, os pássaros do ar, os frutos das árvores,
os beija-flores de suas flores.
A arte é uma
totalidade bela e rara, completa-se em milhares de expressões, sentimentos,
gestos, dores, belezas e inspirações. Unifica-se em si mesma, em um só corpo,
uma só alma, um só coração. A música preenche a cena, a cena desenha a canção,
a canção é poesia, a poesia é literatura, a literatura é cinema, o cinema é
desenho, é dança, é aquarela e pincel. A arte funde-se na vida e a vida
funde-se na arte. A música e a cena, a poesia e o cinema, a literatura e o
pincel, a dança e a canção, são todos partes de uma coisa só, de um só sonho,
de um só ideal. Como podem querer separá-los? Classificá-los, Rotulá-los,
Fragmentá-los, Estereotipá-los?