terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Arte Como um todo?

É possível separar a rosa de seu vermelho? Separar as flores de seus perfumes? Separar o céu do mar? Separar as cores do arco-íris? Separar a lua da noite e a noite das estrelas? Separar o dia do sol e o sol da vida? Separar o beija-flor de uma flor e os pássaros do céu? Separar os peixes do mar e o amor dos contos de fadas?
É possível?
Então porque fazemos isso com a arte?
Expressão máxima da maior beleza infinda que o ser humano é capaz de criar. Porque separam a arte como quem separa a noite do dia?
Doce encanto de raro esplendor, a arte dignifica o homem, poetiza a vida, ameniza as dores, perfuma a alma, alimenta o espírito, alivia o corpo.
A arte é sagrada, é intensa totalidade, pois tudo é arte. Os pássaros que nos ensinam a cantar, as flores que nos ensinam a amar, os animais que nos ensinam a ser, a lua que nos ensina a brilhar, as estrelas que nos orientam e o sol que nos dá calor. O mar que nos ensina a remar com as pequenas e frágeis embarcações que somos, o céu e a terra a nos proteger, tudo é arte.
Se toda beleza é vida, se até a morte é uma arte, se tudo é uma totalidade, porque separam a arte em fragmentos inúteis? Porque distinguem a música da cena e a cena da música, se tudo é uma coisa só? No universo nada existe sozinho. É prepotência do ser humano achar-se auto-suficiente. E se os artistas nasceram dispostos ao dom da sensibilidade, como podem eles deixar-se cair em arrogância ao tentar separar aquilo que lhes é mais belo e sagrado: A sua arte! Fragmentando-a tolamente em pequenas partículas tristes e sozinhas, separadas entre si, onde música é música, teatro é teatro, dança é dança, cinema é cinema, artes plásticas não é poesia e nem literatura. Isso é tão absurdo quanto querer separar os peixes do mar, os pássaros do ar, os frutos das árvores, os beija-flores de suas flores.
A arte é uma totalidade bela e rara, completa-se em milhares de expressões, sentimentos, gestos, dores, belezas e inspirações. Unifica-se em si mesma, em um só corpo, uma só alma, um só coração. A música preenche a cena, a cena desenha a canção, a canção é poesia, a poesia é literatura, a literatura é cinema, o cinema é desenho, é dança, é aquarela e pincel. A arte funde-se na vida e a vida funde-se na arte. A música e a cena, a poesia e o cinema, a literatura e o pincel, a dança e a canção, são todos partes de uma coisa só, de um só sonho, de um só ideal. Como podem querer separá-los? Classificá-los, Rotulá-los, Fragmentá-los, Estereotipá-los?