sábado, 23 de dezembro de 2017

O Trabalho Alienado: Freelancer Online e a Criação dos Criadores da Indústria Cultural

Karl Marx descreve o trabalhador como sendo tanto mais pobre quanto mais riqueza produz.
declaração acima pode aplicar-se a realidade de trabalhar como criador de conteúdo para a industria cultural. Para além do meu estatuto como estudante, também tenho o papel de manter como profissão á parte atividades de freelancer de arte online e conheço diretamente as consequências na falha de balançar a vida pessoal com a vida profissional numa área em que ambas encontram-se difíceis de distinguir. Tudo o que irei mencionar são acontecimentos de experiência própria e que também presenciei nos meus pares.
O objetivo de ganhar emprego numa área artística leva todos os artistas a trabalharem para a construção de uma maior audiência em todas as redes sociais ativas, obrigando assim, o artista-trabalhador a estar constantemente ligado ao seu trabalho por meios da tecnologia. Isto é muitas vezes um fator de maior importância que os créditos de uma escola de arte. O fabrico de uma maior audiência aumenta as oportunidades do trabalhador em arranjar emprego, mesmo que isso não seja um facto garantido, e para obter esta é necessária a criação e a partilha quase constante de conteúdo e produtos, maioritariamente de graça, com uma qualidade e frequência suficiente para garantir a atenção destes. A criação dos produtos mencionados, que pode muitas vezes ser em formato físico como tecnológico, obriga grande dedicação do trabalhador não  para treinar as capacidades necessárias para a realização do trabalho mas também para fazer o trabalho em si. A industria de freelancing de arte encontra-se atualmente sobressaturada com criadores que competem entre si para a obtenção de publicidade suficiente que poderá garantir maiores e melhores oportunidades de emprego para si próprios. Isto leva muitos criadores a treinarem as suas capacidades a um ponto em que estes se isolam completamente da sua vida livre para obter mais tempo de treino na sua arte. Este acontecimento mantém-se comum entre as comunidades online e tem graves consequências não  na saúde mental mas também na saúde física do artista em questão. Este é levado a isolação dos seus entes queridos, á falta de sono e muitas vezes á falta de nutrição e atividade física somente pela hipótese de garantir um lugar de trabalho e fazer parte dos criadores da industria cultural.
Isto é, infelizmente, visto como necessário entre os artistas para o sucesso da sua carreira. O artista é quase que obrigado a sacrificar elementos essenciais para uma vida saudável como prova que merece um espaço na industria da arte e sucesso (ou seja, uma vida estável) nessa profissão. Este sacrifica o seu bem-estar para demonstrar que tem capacidade para trabalhar e criar constantemente produtos para a industria cultural das massas. Sendo assim, quanto mais cria e mais produz não  na ascensão da sua carreira mas também para meios empresariais, mais é obrigado a sacrificar a sua vida pessoal em troca de tempo e treino para criar mais e melhor. O artista, então, perde o seu estatuto como individuo única e torna-se, nos olhos daqueles que o rodeiam profissionalmente, numa constante maquina de produção de conteúdo cujas necessidades são muitas vezes postas de parte. Este comportamento ainda mantém-se presente e até encorajado nos meios de arte.