sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Trabalhador como Mercadoria

O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a.” - Karl Marx

 Karl Marx afirma, o trabalhador transforma-se numa mercadoria cada vez mais barata, quanto maior for o número de bens que produz.
Será legítima esta busca incansável de mercadorias que o ser humano tanto procura? Será legítima esta sede de criar cada vez mais objetos que nos aprisionam enquanto trabalhadores?

 Ao longo dos séculos, e começando desde a pré-história, o Homem sempre teve a necessidade de trabalhar. Trabalhar em instrumentos de caça, na pré-história, para poder sobreviver. Mas aí o trabalho era por necessidade. Ou caçava ou morria. Daí, segundo o autor, o que nos separa dos restantes animais é a capacidade que temos em modificar o ambiente em que estamos envoltos; é realizar projetos, fabricando, produzindo ou utilizando as nossas próprias ferramentas de produção. Assim, construir uma ferramenta trata-se de construir um objeto com capacidade de modificar uma dada realidade que se espelha na necessidade de produção para sobreviver que está expressa na época da pré-história. O Homem era recolector e era essa a sua única maneira de sobrevivência. Não havia o capital. Não havia a sobrevalorização da mercadoria. Não havia o desperdício. Não havia a obrigação de se trabalhar compulsivamente para satisfazer os caprichos das classes dominantes.
 
 Desde a Revolução Industrial que se tem vindo a observar uma mudança drástica no comportamento da Economia Política. A necessidade de satisfação de classes predominantes fez-se sentir. O uso abusivo do trabalho humano tomou proporções colossais, bem como a produção exagerada de mercadorias que não são reconhecidas pelo trabalhador. O objeto produzido, que é fruto do trabalho do trabalhador, não é reconhecido pelo mesmo, pois é independente e encontra-se fora do ser que o produziu, não tendo assim a essência do trabalhador. Esta pobreza gerada no trabalhador enquanto se gera a riqueza do capitalista transforma-se assim na alienação em relação do produto do trabalho. O trabalhador realiza aquele objeto por x, que mais tarde será vendido por x. Esta rotina afeta a vida do trabalhador que só consegue sobreviver se produzir mercadorias; deste modo, esse mesmo trabalhador perde vida ao dar vida a objetos que serão valorizados por uma sociedade de consumo.