sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Serei mais ou menos bonita?


   Era Sábado, um belo dia de Inverno aquele, o céu estava limpo e a aragem gélida. Parei por momentos em frente à janela da cozinha, numa breve reflexão matinal. Ouviam-se os pássaros a chilrear enquanto voavam de árvore em árvore. Tudo parecia tão sereno naquela manhã. Quando, subitamente, vi o meu reflexo por entre o vidro outrora embaciado e surgiu todo um conflito mental.

  – Numa sociedade voltada para o espelho, serei mais ou menos bonita? – perguntei-me.

   Vivemos prisioneiros dentro de uma ideologia do corpo perfeito. Em que, o corpo feminino tem de obedecer a certos padrões para ganhar o estatuto de aceite ou “bom”. Nem demasiado gorda, nem demasiado magra. Nem demasiado alta, nem demasiado baixa. Mas afinal qual a dose certa?

   Consequente desta hegemonia, passamos a ser tratados como meros objetos de avaliação, perdendo tudo o que de natural há em nós. Os mais belos pormenores que nos tornam nós próprios são vistos como defeitos. E pior, acabamos por escolher elimina-los através de cirurgias plásticas, a contemplá-los. Vamos vivendo perdidos, num século, em que, até a Barbie sofre de uma incorporação, convertendo-se na nova Kardashian. E, em que, a sociedade nos impinge o impossível, o perfeito corpo esculpido.

   Teremos nós a consciência desta falsa realidade? Como nos diz Marx em “A ideologia Alemã”, “Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência.”. Acabo por chegar à conclusão que não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos. Fruto de ideologias culturais demasiado incorporadas em nós próprios.

   Mas para mim, para mim cada ser é perfeito. E todos os dias devíamos olhar-nos como seres humanos e ver a beleza que há em cada um de nós.