A indústria cultural assume-se como
produtora de inúmeras ideologias propositadamente criadas para serem aceites pelo
maior número de pessoas.
Atualmente, baseando-me na obra “Dialética do Esclarecimento”, de Theodor
Adorno e Max Horkheimer, existem mais de milhões de pessoas a participar neste
universo industrial, o que obriga a que exista uma produção baseada na
reprodução. A reprodução sistemática força a propagação de um bem padronizado que
satisfaz necessidades iguais. Tome-se como exemplo a indústria têxtil, onde numa
loja de marca se vende uma dada camisola que o consumidor pensa ser única, no
entanto, encontram-se reproduções da mesma noutros locais/eventos onde o preço
acaba por ser mais baixo e o produto satisfaz, na mesma, o consumidor.
A conceção de autenticidade desvanece-se,
visto que a indústria cultural planta em nós um sentido ilusório de liberdade
de escolha porque acaba por ser entre coisas que são as mesmas, ou seja, neste
contexto, não existem coisas únicas e distintas entre as quais possamos
escolher. A verdade é que, por exemplo, a distinção entre a pasta de dentes x
ou a pasta de dentes y é ilusória visto que ambas satisfazem a necessidade de
lavar os dentes do consumidor, o que as diferencia é o nome da marca e o modo
como são propagandeadas.
Na sociedade atual, as pessoas reagem
consoante os padrões impostos pela publicidade, tentando sempre corresponder ao
modelo idealizado por cada produto. Uma personalidade significa apenas ter a última
edição dos sapatos x, ter uma aparência o mais aproximada possível de certa celebridade
e, claro, postar tudo isto numa qualquer rede social.
Afinal, não são só os produtos a
serem produzidos em série…