Surge da peça “A tragédia de
Hamlet”, de William Shakespeare uma das frases mais notáveis e conhecidas até
aos dias de hoje, e que ainda não obteve resposta.
“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim?”
Será digno
deixar o nosso espírito ser consumido e arrasado pela sociedade dominante ou
será simplesmente justo deixá-lo voar livremente?! Afinal quem tem mão sobre
ele, nós ou os outros?
Vivemos numa
sociedade em que os espíritos interiores de cada um vivem aprisionados e
telecomandados, pelas tendências ou gostos de alheios. Resistem à liberdade
mantendo-se apenas espíritos sobreviventes que não seguem caminhos próprios.
É notável o
fervilhar das mentes dentro de cada um enquanto dormem num sono profundo.
Seguem pela
rua, tocam-se, existe uma faísca por parte dos espíritos que não se torna
suficiente para acordar cada um, seguem caminho, focados no fim da rua sem
sequer se aperceberem do toque existido anteriormente.
Talvez sonhar
seja o obstáculo e o pensamento crime que apenas alguns tem sorte de ter, sofrendo
diariamente apedrejamentos por parte de olhares e espíritos cercados e
alienados. Até que ponto valerá todos os alvejamentos a que um espírito livre
se está a expor para tentar viver numa sociedade sobrevivente e privada?
“Ser ou não
ser..." será sempre a questão.