terça-feira, 19 de dezembro de 2017

"Ser ou não ser, eis a questão..."

Surge da peça “A tragédia de Hamlet”, de William Shakespeare uma das frases mais notáveis e conhecidas até aos dias de hoje, e que ainda não obteve resposta.

“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim?”

Será digno deixar o nosso espírito ser consumido e arrasado pela sociedade dominante ou será simplesmente justo deixá-lo voar livremente?! Afinal quem tem mão sobre ele, nós ou os outros?
Vivemos numa sociedade em que os espíritos interiores de cada um vivem aprisionados e telecomandados, pelas tendências ou gostos de alheios. Resistem à liberdade mantendo-se apenas espíritos sobreviventes que não seguem caminhos próprios.
É notável o fervilhar das mentes dentro de cada um enquanto dormem num sono profundo.
Seguem pela rua, tocam-se, existe uma faísca por parte dos espíritos que não se torna suficiente para acordar cada um, seguem caminho, focados no fim da rua sem sequer se aperceberem do toque existido anteriormente.
Talvez sonhar seja o obstáculo e o pensamento crime que apenas alguns tem sorte de ter, sofrendo diariamente apedrejamentos por parte de olhares e espíritos cercados e alienados. Até que ponto valerá todos os alvejamentos a que um espírito livre se está a expor para tentar viver numa sociedade sobrevivente e privada?

“Ser ou não ser..." será sempre a questão.