Próxima estação:
Resgatar o homem
As pessoas ultrapassam as saídas apressadamente, as
escadas rolantes, esses mecanismos inventados pelo homem para comodamente as
trazer até à superfície, são galgadas qual obstáculo, numa correria desenfreada
com alguns empurrões pelo caminho. Em sentido oposto outras tantas no mesmo
frenesim, descem até ao cais, agora há que esperar, sim eu não disse há que
saber esperar; as cabeças mergulham de imediato nos telemóveis, que pode haver
por ali alguma novidade desde há cinco minutos atrás, outros procuram num
qualquer jornal desportivo um resultado positivo do seu clube, e se não for no
futebol pode ser noutro desporto menor, o importante é arranjar algo para
discutir com o adepto de um clube rival e com isso ganhar o dia. A escassos
metros à frente destas pessoas, enormes painéis de azulejo decorados com
pinturas sumptuosas, ou algumas esculturas em mármore estrategicamente
colocadas para serem apreciadas durante estas esperas, mas não, ainda não é
desta que chamam a atenção.
Agora, o mundo do trabalho alienado chama por estes servos,
e a sua inteligência à muito usurpada e manipulada pelo capitalismo, só lhes deixa
pensar que, o não cumprimento do horário de trabalho os pode levar de imediato
à substituição por outros, atirando-os ainda mais para a precariedade.
Acabando por ser desta forma que o homem hipoteca a sua liberdade e a sua vida
intelectual, enquanto ser consciente, transforma a sua atividade vital, o seu
ser, em simples meio da sua existência.