terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Próxima estação: Resgatar o homem

As pessoas ultrapassam as saídas apressadamente, as escadas rolantes, esses mecanismos inventados pelo homem para comodamente as trazer até à superfície, são galgadas qual obstáculo, numa correria desenfreada com alguns empurrões pelo caminho. Em sentido oposto outras tantas no mesmo frenesim, descem até ao cais, agora há que esperar, sim eu não disse há que saber esperar; as cabeças mergulham de imediato nos telemóveis, que pode haver por ali alguma novidade desde há cinco minutos atrás, outros procuram num qualquer jornal desportivo um resultado positivo do seu clube, e se não for no futebol pode ser noutro desporto menor, o importante é arranjar algo para discutir com o adepto de um clube rival e com isso ganhar o dia. A escassos metros à frente destas pessoas, enormes painéis de azulejo decorados com pinturas sumptuosas, ou algumas esculturas em mármore estrategicamente colocadas para serem apreciadas durante estas esperas, mas não, ainda não é desta que chamam a atenção.
Agora, o mundo do trabalho alienado chama por estes servos, e a sua inteligência à muito usurpada e manipulada pelo capitalismo, só lhes deixa pensar que, o não cumprimento do horário de trabalho os pode levar de imediato à substituição por outros, atirando-os ainda mais para a precariedade.
Acabando por ser desta forma que o homem  hipoteca a sua liberdade e a sua vida intelectual, enquanto ser consciente, transforma a sua atividade vital, o seu ser, em simples meio da sua existência.