domingo, 17 de dezembro de 2017

Punk Moda Funk

   T-Shirts e calças rasgadas. Meias rede de peixe. Chokers, desde simples fitas a cabedal carregado de picos. Saias ou calças de latex. Piercings e tatuagens ostentativas. Botas militares. Roupas cobertas de pins e emblemas.
   Isto não passa de uma mera enumeração de acessórios que estão agora na moda. Meras peças para vestir e se conformar com os tempos presentes. Mas, infelizmente, não é bem assim.
   Hoje em dia, no mundo da moda, estamos a assistir sistematicamente a apropriações culturais e temporais, retirando o significado original de peças únicas e tornando-as banais, produzidas em massa para a população.
   Originalmente, tudo aquilo que enumerei simbolizou uma revolução cultural. Durante os anos 70 e 80, a moda Punk surgiu contra a sociedade mainstream e materialista que se preocupava com aspetos tão fúteis como a maneira de alguém se vestir ou com o papel que cada um devia ter conforme o seu género. Assim, a moda Punk também ajudou à revolução sexual da época: todos que adotavam esta moda “brincavam” com os conceitos de género, vestindo tutus de bailarinas com botas militares, maquilhagem de olhos esfumados com o cabelo rapado e acabando por criar uma moda assexual onde não havia lugar para “homem e mulher”. Outro aspeto fundamental desta moda, é que quase todas as peças de vestuário eram feitas por quem as ia vestir e não por marcas de roupa, garantindo assim a originalidade tanto do conceito como da própria peça em si, única para cada pessoa.

   Contudo, tal como a Arte Neoclássica deturpou a Arte Clássica com conceitos racistas como a “pureza do mármore branco”, a moda de hoje em dia deturpou a moda Punk. Muitas pessoas que hoje vestem peças ditas “punk” não estão a fazer uma declaração sobre as normas sociais, estão a conformar-se; não estão a revolucionar a sociedade, estão a cimentar o controlo da indústria sobre a nossa vida.