T-Shirts e calças rasgadas. Meias rede de peixe. Chokers,
desde simples fitas a cabedal carregado de picos. Saias ou calças de latex.
Piercings e tatuagens ostentativas. Botas militares. Roupas cobertas de pins e
emblemas.
Isto não passa de uma mera enumeração de acessórios que estão
agora na moda. Meras peças para vestir e se conformar com os tempos presentes.
Mas, infelizmente, não é bem assim.
Hoje em dia, no mundo da moda, estamos a assistir
sistematicamente a apropriações culturais e temporais, retirando o significado
original de peças únicas e tornando-as banais, produzidas em massa para a
população.
Originalmente, tudo aquilo que enumerei simbolizou uma
revolução cultural. Durante os anos 70 e 80, a moda Punk surgiu contra a
sociedade mainstream e materialista que se preocupava com aspetos tão fúteis
como a maneira de alguém se vestir ou com o papel que cada um devia ter
conforme o seu género. Assim, a moda Punk também ajudou à revolução sexual da
época: todos que adotavam esta moda “brincavam” com os conceitos de género,
vestindo tutus de bailarinas com botas militares, maquilhagem de olhos
esfumados com o cabelo rapado e acabando por criar uma moda assexual onde não
havia lugar para “homem e mulher”. Outro aspeto fundamental desta moda, é que
quase todas as peças de vestuário eram feitas por quem as ia vestir e não por
marcas de roupa, garantindo assim a originalidade tanto do conceito como da
própria peça em si, única para cada pessoa.
Contudo, tal como a Arte Neoclássica deturpou a Arte Clássica
com conceitos racistas como a “pureza do mármore branco”, a moda de hoje em dia
deturpou a moda Punk. Muitas pessoas que hoje vestem peças ditas “punk” não
estão a fazer uma declaração sobre as normas sociais, estão a conformar-se; não
estão a revolucionar a sociedade, estão a cimentar o controlo da indústria
sobre a nossa vida.