terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Não somos nada até descobrirmos aquilo que somos

Chegámos a um ponto da nossa existência em que nem nós mesmos não sabemos ao certo o que somos, quem somos e qual é, afinal, o nosso propósito neste mundo. Não cremos em nada nem ninguém e vivemos num loop infinito de questões para as quais não encontramos respostas concretas. Todo o conhecimento que possuímos são teorias, teorias de como afinal foi o mundo criado, de como nós fomos criados, se Deus de facto existe ou não. Como podemos crer em algo que nunca vimos, como podemos ter esperança de que vamos de facto para o tão vangloriado “céu”, se nunca tivemos qualquer prova de que o grande Senhor existe de verdade? Em que nos refugiamos então, nós, seres humanos, que em nada acreditamos e sobre nada temos resposta?

Vivemos num tempo em que o consumismo e o materialismo alcançaram o seu auge. Vivemos rodeados de coisas que acreditamos que nos tornam melhores, compramos objetos sem valor, que valem uma fortuna, para vivermos bem connosco mesmos, pensando que talvez este ou aquele objeto mostrarão o nosso valor enquanto ser humano e que transpareçam as pessoas excecionais que somos, as pessoas fantásticas que nos tornámos. Vivemos num mundo de aparências, em que nada mais conta para além do que vemos, no exterior. Quem somos afinal? Uma cara bonita, uma mala Chanel, um perfume Calvin Klein, uns ténis Gucci. É tudo em que pensamos: comprar, comprar, comprar - como se fosse a resposta para tudo aquilo que não sabemos e que de facto, não sabemos se alguma vez iremos saber. Afinal, seremos assim uns seres humanos tão excecionais? Será que sermos definidos por aquilo que temos ou pelo que podemos comprar é de facto algo assim tão fantástico como muitos acreditam? No dia em que não existir uma pessoa sequer no mundo que nos olhe por o que somos realmente, no nosso interior, aí sim, podemos dizer que o nosso mundo se perdeu e que não haverá volta a dar.