terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A alienação do trabalho

“A apropriação do objeto aparece como alienação a tal ponto que quanto mais objetos o trabalhador produz, tanto menos pode possuir e tanto mais fica dominado pelo seu produto, o capital” Karl Max, 1993 

Karl Marx critica a sociedade industrial capitalista e seu modo de produção, em que esta cria um trabalho alienado que acaba por desumanizar o indivíduo explorado. 

A alienação trata-se de um processo de exteriorização de uma essência humana e do não-reconhecimento desta atividade enquanto tal. No fim do processo do trabalho, o produto feito transforma-se em algo estranho, independente do indivíduo que o produziu. Quando o produto está feito, só resta ao trabalhador exigir um salário ao fim do mês. Por exemplo quando um programador termina uma rotina para um dado sistema administrativo de uma empresa. Após modificar aquele software, realizar transformações para adaptá-lo ao quotidiano da empresa que o adquiriu, ele não pode reivindicar o produto do trabalho como algo dele. A modificação foi um serviço garantido pelo contrato entre empresa contratante e empresa contratada (empregador e empregado). Ou seja, o produto final não é ontologicamente de ninguém, é independente, um objeto estranho à “natureza” de qualquer indivíduo que trabalhou nele.  

quotidiano é mais uma vez a prova desta alienação, já que o trabalho é sempre considerado como o fardo para a sobrevivência. Acabam sempre por tentar colocar palestras motivacionais, um ambiente saudável, incentivam que os indivíduos sigam sua “vocação”etc. Entretanto, mesmo para aqueles que adoram fazer o seu trabalho, ele ainda é feito sob a perspetiva meramente econômica do capitalismo. Trata-se de uma perspetiva mortificante, pois gostar do trabalho é um acidente feliz, não uma propriedade do trabalho.  

Por fim, penso que a nossa única escapatória é realmente tornarmo-nos acidentes felizes, pois o trabalho realizado será um todo gratificante sem termos de acordar todos os dias para um trabalho que não nos agrada. Aliás como o provérbio dita: quem corre por gosto, não cansa.