A hegemonia consiste numa adesão massiva a uma perspetiva da realidade. Todos são “obrigados” a tomar como seus valores que não os beneficiam, valores esses que são adotados por uma classe dominante.
Um exemplo desta realidade é observável nas relações humanas, nas interações que temos com pessoas no nosso quotidiano. Porque é que um contacto visual no metro é ameaçador? Porque é que a norma é evitar contacto com outro ser humano, passar por alguém na rua e manter-se invisível, quando o natural seria estabelecer ligações?
Nos dias de hoje, empurramos essas conexões para o campo do sobrenatural: é-nos estranho interagir espontaneamente porque foi gradualmente adoptada pelas massas (a classe dominante que reforça a hegemonia) uma perspetiva que acentua o afastamento entre as pessoas. O facto de estarem todas juntas a seguir a mesma ideia ajuda a que acreditem que estão certas, e tanta gente a comportar-se desta forma faz com que ainda mais indivíduos adiram à regra.
Ainda assim, tentar fugir à regra vale a pena. Falando por experiência própria, o simples ato de meter conversa com um estranho no metro, ultrapassando o medo irracional suscitado pela ideia de interagir, pode tornar uma viagem aborrecida de metro numa conversa em que podemos inesperadamente aprender algo.