Ao
longo da minha vida, passando de grupos em grupos consegui perceber que muitas
vezes a maioria, molda a minoria, especialmente a " peer pressure".
Um grupo grande sendo um universo consegue controlar os novos átomos que
contem. Cada átomo por assim dizer tem ideologias individuais. Mas à medida que
o universo se vai formando, isto é, à medida que o grupo vai crescendo e
envolvendo-se cada vez noutras situações de vida, eles formam uma ideologia
hegemónica, transmitindo vários conceitos imensas vezes. Uma realidade única é
formada nos elementos mais individuais, tal como uma falsa consciência. Muitas
vezes vi-mos adolescentes a serem influenciados pelo grupo a vários níveis,
isto acontece porque estão a ser postos frente a frente com uma nova realidade
que fica como a única que eles conhecem nesse mesmo novo grupo de
amigos.
Mais tarde todo o grupo fica hegemónico, por
consequente do seu mais recente acontecimento, uma hegemonia. Esta nova
ideologia foi adotada pelos individuais, e foi formada uma nova perspectiva da
realidade. Muitas vezes esta hegemonia pode não ser boa, como vários exemplos:
maus hábitos excessivos incluindo drogas e álcool. No entanto também há outros
exemplos, como uma leve mudança no estilo de roupa do indivíduo em questão. Depois
da hegemonia, desta ideologia dominante entre todos os átomos forma-se assim um
novo universo com uma "cultura única e dominante". No meu liceu
testemunhei muitas vezes isso, em que alunos de fora vinham para a minha escola
e mudavam completamente de pessoa pois tudo era diferente e eles eram os únicos
iguais aos adolescentes da sua idade. Ao longo das primeiras semanas de aulas era capaz de ver uns quantos a pôr pela primeira vez um cigarro à boca ou a
fazerem uma rasta na parte de trás da nuca, com o propósito da mãe ou do pai
não saberem.
No entanto existe sempre uma resistência. Vão
formando-se poucos átomos que veem para além do universo em que se inserem,
estas subculturas resistem. Há sempre aqueles individuais do grupo que querem
ir mais para além, que procuram algo mais, e este mais não tem que ser bom, ou
melhor que os outros, é simplesmente algo mais. Esses da resistência ambicionam
mais alto ou simplesmente ambicionam algo diferente. No fim da década de 70
numa cultura massiva e hegemónica, surgiu o punk. Um movimento anarquista,
diferente de tudo. Um átomo que era diferente no universo hegemónico. Por
subculturas juvenis este movimento começou a ser incorporado pelas massas
fazendo parte assim do sistema económico.
Com isto quero dizer que ao testemunhar
várias ideologias coletivas, senti sempre que há uns que vão por outros
caminhos, que querem mais, que ficam sempre a querer mais ou percebem que não é
bem aquilo que querem. Todos os dias, na nossa vida social damos caras com
ideologias e constantes resistências, somos só átomos há procura de algo.
Muitas vezes pensamos que encontramos o universo certo, mas talvez o que a
nossa mente pensava era diferente. Todos os dias há uma constante mutação de
átomos acompanhados pela hegemonia que estes mesmos têm.