quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Hegemonia dos átomos

     Ao longo da minha vida, passando de grupos em grupos consegui perceber que muitas vezes a maioria, molda a minoria, especialmente a " peer pressure". Um grupo grande sendo um universo consegue controlar os novos átomos que contem. Cada átomo por assim dizer tem ideologias individuais. Mas à medida que o universo se vai formando, isto é, à medida que o grupo vai crescendo e envolvendo-se cada vez noutras situações de vida, eles formam uma ideologia hegemónica, transmitindo vários conceitos imensas vezes. Uma realidade única é formada nos elementos mais individuais, tal como uma falsa consciência. Muitas vezes vi-mos adolescentes a serem influenciados pelo grupo a vários níveis, isto acontece porque estão a ser postos frente a frente com uma nova realidade que fica como a única que eles conhecem nesse mesmo novo grupo de amigos. 
     Mais tarde todo o grupo fica hegemónico, por consequente do seu mais recente acontecimento, uma hegemonia. Esta nova ideologia foi adotada pelos individuais, e foi formada uma nova perspectiva da realidade. Muitas vezes esta hegemonia pode não ser boa, como vários exemplos: maus hábitos excessivos incluindo drogas e álcool. No entanto também há outros exemplos, como uma leve mudança no estilo de roupa do indivíduo em questão. Depois da hegemonia, desta ideologia dominante entre todos os átomos forma-se assim um novo universo com uma "cultura única e dominante". No meu liceu testemunhei muitas vezes isso, em que alunos de fora vinham para a minha escola e mudavam completamente de pessoa pois tudo era diferente e eles eram os únicos iguais aos adolescentes da sua idade. Ao longo das primeiras semanas de aulas era capaz de ver uns quantos a pôr pela primeira vez um cigarro à boca ou a fazerem uma rasta na parte de trás da nuca, com o propósito da mãe ou do pai não saberem.
No entanto existe sempre uma resistência. Vão formando-se poucos átomos que veem para além do universo em que se inserem, estas subculturas resistem. Há sempre aqueles individuais do grupo que querem ir mais para além, que procuram algo mais, e este mais não tem que ser bom, ou melhor que os outros, é simplesmente algo mais. Esses da resistência ambicionam mais alto ou simplesmente ambicionam algo diferente. No fim da década de 70 numa cultura massiva e hegemónica, surgiu o punk. Um movimento anarquista, diferente de tudo. Um átomo que era diferente no universo hegemónico. Por subculturas juvenis este movimento começou a ser incorporado pelas massas fazendo parte assim do sistema económico.
     Com isto quero dizer que ao testemunhar várias ideologias coletivas, senti sempre que há uns que vão por outros caminhos, que querem mais, que ficam sempre a querer mais ou percebem que não é bem aquilo que querem. Todos os dias, na nossa vida social damos caras com ideologias e constantes resistências, somos só átomos há procura de algo. Muitas vezes pensamos que encontramos o universo certo, mas talvez o que a nossa mente pensava era diferente. Todos os dias há uma constante mutação de átomos acompanhados pela hegemonia que estes mesmos têm.