Ao falar de alienação vou falar mais
do nível em que o humano chega a um ponto em que não existe sem o objeto. Pois
este passa-lhe a vida e esta fica como algo autónomo no objeto. O objeto tem assim
uma existência externa, um poder autónomo. Tentei comparar isto à dependência dos
adolescentes ao telemóvel.
Hoje em dia os miúdos ficam a ser
um com o telemóvel, e acabam por dar tudo, não tendo nenhum benefício da vida
exterior concentrando-se apenas naquele ecrã. São então alienados pelo telemóvel
e dependentes dele mesmo a um ponto em que se afastam da natureza, natureza
esta que proporciona a vida ao humano e materialidade ao objeto, o telemóvel. Como já referi anteriormente, o utilizador passa a vida ao objeto, neste caso o telemóvel e este ganha um poder individual e autónomo.
Os adolescentes têm uma vida, a sua vida, no telemóvel. Está tudo lá, deste fotos, documentos, contactos, jogos, descontos e hoje
em dia até o cartão multibanco. Num ponto em que muitas vezes se tirarmos o telemóvel
a alguém totalmente dependente, essa pessoa fica sem saber o que fazer e que
rumo, seguir. “O que é que eu faço agora?”
Assim podemos comprovar que o telemóvel
sendo o objeto capacita a existência não só do trabalhador mas sim do utilizador.
Esta rede de alienação fica cada vez maior ao ponto de não só os trabalhadores
serem dependentes da criação do objeto como os utilizadores são dependentes do
objeto e do consumo que têm por ele. E este objeto é poderoso ao ponto de
controlar o trabalhador fazendo com que este se esqueça do seu valor,
esgotando-se para a fabricação. Mas também é poderoso para os jovens que se separam do mundo
exterior especialmente da natureza, para estarem concentrados neste objeto que
os controla. A alienação está assim sempre presente em todo o processo. Desde a
criação do objeto, passando até pelo consumo deste mesmo.