A Hegemonia cultural é um conceito concebido por António Gramsci, um filósofo italiano influenciado pelo Marxismo. Este era usado para evidenciar a dominância de uma classe social sobre outra. Sendo a primeira, naquele tempo, a burguesia que estabelecia uma ideologia que controlava o proletariado - a segunda classe social, a maior fonte de riqueza dos burgueses. Neste conceito é evidenciada ideia de elitismo, na qual uma elite social, que engloba uma pequena parte da população, controla todo o estado/país através da sua afluência social e poder económico.
Hoje
em dia pensamos que tal conceito já não se aplica a nós. As “lavagens
cerebrais” também faladas na teoria de Gamsci já não são utilizadas, e que, atualmente,
o ser humano pensa e atua desprovido de qualquer influência, por si só. Somos
“livres”.
Não
podíamos estar mais enganados.
A toda a hora somos diretamente
analisados sem nos apercebermos. O Google, por exemplo, é um grande
contribuidor para este acontecimento. A empresa tem acesso a todas as nossas
pesquisas online, assim como todos os sites por nós visitados e até conseguem aceder
a todos os locais que visitamos, através do sistema de GPS implementado nos
dispositivos eletrónicos nossos contemporâneos. Estamos constantemente a ser
estudados. Mas para quê? Esta realização ocorreu-me há uns anos atrás, quando
ia acompanhada de amigos a tentar descobrir um café que tinha visitado semanas
antes. Enquanto andava pelas ruas a tentar-me recordar de onde era este tal
café, fui seguindo a minha localização GPS, quando vi um nome familiar
cliquei…e lá estava escrito “Esteve aqui há um mês”.
Quando utilizo a palavra “estudados”
não a uso em vão. Estamos realmente a ser “lidos” como um catálogo. O que
gostamos? Que sites usamos? Quais os nossos programas preferidos? Têm a
resposta para todas estas questões. Mas quem são estes “eles”? São precisamente
todas as grandes empresas que procurem lucro económico no mundo inteiro. Estas realizam,
primeiramente, uma pesquisa sobre a sociedade, e daí constroem as suas
campanhas, promovendo os seus produtos de maneira a que seja mais apelativo à
população alvo. Por exemplo, alguém que esteja a navegar na internet e se
depara com propaganda para aquele site de roupa online que gostamos tanto, que
é mesmo a “nossa cara”. Isto não é por acaso, a publicidade é escolhida
precisamente para nós. Mas isto não é só de agora, já no século passado esta
“nossa escolha” acontecia por exemplo nos cinemas, nos quais inseriam frames da
coca-cola durante os filmes, que passavam despercebidos a olho nu, ligando a
ideia da bebida ao filme em si, fazendo com que os espectadores a comprassem no
intervalo.
Tudo isto resulta de uma junção da
investigação que sofremos, da “lavagem cerebral” que nos faz pensar que somos
“livres” e ainda do pensamento consumista implementado pela classe superior.
Exato, “classe superior”, que nos influencia a comprar tudo o que nos possa
parecer interessante, utilizando muitas vezes pessoas conhecidas mundialmente:
a Shakira usa oral-B, o Cristiano Ronaldo usa Linic e a Sofia Vergara usa
H&S. Hoje em dia, a classe superior, no contexto de Gamsci, seriam portanto
as empresas, que beneficiam do trabalho da classe inferior: nós, os
consumistas. Não no sentido direto de que trabalhamos para eles (como acontecia
muito naquele tempo), mas sim no sentido que apostamos o nosso dinheiro no que
eles têm para oferecer, passando a ser a principal fonte de rendimento destas
companhias, como o proletariado era para os burgueses.