"O
trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a
sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria
tanto mais barata, quanto maior número de bens produz." É esta a ideia
que, em 1993, Karl Marx quer transparecer em O trabalho alienado.
É adquirida a
noção de que a partir do momento em que o mundo das coisas é valorizado, o
mundo dos homens é proporcionalmente desvalorizado- O produto resultado do
trabalho do homem torna-se um objeto, uma coisa física, é a chamada
"objetivação do trabalho" e, nesta objetivação, é de tal maneira
evidente a perda do objeto que, para o trabalhador, é impossível conseguir os
objetos mais necessários. É-me então possível, a partir desta situação
recorrente, demonstrar uma situação semelhante acentuada nos dias de hoje.A religião parece-me a razão primordial pela qual isto acontece- "quanto mais o homem se atribui a Deus, tanto menos guarda para si mesmo."- e nela conseguimos realmente entender como tudo isto se passa. Como conseguimos pôr a nossa vida num objeto e como deixamos que esta vida pertença, não a nós, mas ao objeto. Não me ocorre que este seja um tema acerca do qual seja necessário existir polémica, apesar de, com certeza, acontecer. É uma realidade notável, triste, mas justificável. O homem que o faz, faz com um objetivo diferente e para ele não é, nem nunca será normal imaginar uma coisa dessas, mas ele fá-lo. E ele fá-lo porque, visualmente, o sucesso e a riqueza são a objetivação, são os bens.