É óbvio que existem diferenças ninguém nos obrigada directamente a trabalhar temos sempre a escolha de viver uma vida com condições mínimas, isto é, tens comida e uma casa mas existe sempre a outra escolha que não é muito apelativa que é viver na rua e passar fome. E por isso pergunto será que existe mesmo aqui uma escolha?
Na realidade acabamos por ser escravos não como antes mas somos escravos das nossas escolhas e também do estado que nos governa. Acabamos então por não ter uma escolha e como antigamente acabamos por nos tornar em objectos.
O trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e em extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior numero de bens produz. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção directa a desvalorização do mundo dos homens. O trabalho não produz apenas mercadorias; produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens (Marx, 1844/1993, 159).
Com isto Marx mostra como a sociedade leva à desumanização do homem devido à forma como este produz e trabalha e como se submete ao empobrecimento, à miséria, ao desaparecimento do seu individualismo e ao embrutecimento espiritual do trabalhador e de certa forma á escravização . Marx indica que ao homem se submete a estas condições e a esta alienação este então acaba por se tornar em apenas uma mercadoria e assim como as mercadorias ele pode ser subsistido a qualquer momento isso mostra então a desvalorização do individuo em que o torna em uma ferramenta, não tendo sentimentos nem necessidades, que pode ser utilizada até chegar ao seu ponto de rotura apenas para ser trocada por outra.
Um bom exemplo então disso são os trabalhadores em países como China e Índia que se submetem a condições miseráveis e que passam mais de metade do dia a trabalhar para produzir bens materiais que iram ser vendidos por empresas a nos consumidores por um preço triplo ao do que eles ganham por dia.
Este processo de alienação é fruto do facto que o produto produzido pelo trabalhador acaba por tornar-se-lhe
estranho e independente, uma vez que este é lhe privado.
Se o produto do trabalho não pertence ao trabalhador, se a ele se contrapõe como um poder
estranho, isto só é possível porque o produto do trabalho pertence a outro homem distinto
do trabalhador. Se a actividade constitui para ele um tormento, tem de ser fonte de gozo e de
prazer para outro. Só o homem, e não os deuses ou a natureza, é que pode ser esse poder
estranho sobre o homem. (Marx, 1989)
Com isto Marx quer dizer que embora tenha sido o trabalhador a produzir o produto, a dar de si próprio neste, acaba por não ser ele a beneficiar disso e nem chega a o ter, exemplo disso são as crianças e mulheres que trabalham mais de 12 hora por dia para produzirem roupa ou sapatos e outros bens que nós temos por garantido mas que para esses trabalhadores podemos ver que não é um bem que conseguem ter facilmente e que pode ser considera um luxo apesar de terem sido eles a o produzir existe uma separação entre os dois tornando o produto superior à pessoa.
Ou seja, o trabalhador ao dar a sua vida – disponibilidade, tempo e energia vital – na produção destes produtos que lhe são privados e não lhe pertencem, perde a sua própria vida. Significa que tanto o objecto como o trabalhador são transformados em mercadoria que podem ser vendidos e trocados mas onde muitas das vezes o próprio objecto tem mais valor do que a pessoa que trabalhou nele e por isso este acaba por ganhar uma salário mas mesmo assim não consegue adquirir o objecto que produziu.O trabalhador encontra-se alienado da sua vida no geral. O trabalho faz com que as pessoas se alienem da natureza e de si próprias. A sua actividade surge então como motivo de sofrimento: o homem tem de trabalhar para existir mas o trabalho obriga-o à alienação.
“A vida revela-se simplesmente como meio de vida” (Marx, 1844/1993).
O trabalho passa a ser a única forma de existência física. E ao este perder parte da sua vida a produzir este objecto a individuo acaba por não beneficiar do seu trabalho o que faz com que este apenas trabalhe para uma finalidade, ter as condições mínimas de vida ou então o trabalhador vive num estado de espera , isto é, passa os dias e as semanas as pensar nos dias de folga e nas ferias e isso mostra o descontentamento que existe por parte do trabalhador com a sua situação mas sem alternativa para poder muda-la.
Podemos então concluir que o trabalho alienado esta a separar o homem de tudo o que é seu, dos seus direitos e da sua individualidade e da sua vontade já que a mercadoria que produz adquire um valor superior a ele este acaba por se transformar uma mercadoria ele próprio e onde o trabalho devia ser algo onde o homem podia produzir e desenvolver as suas capacidades humanas acaba por transformar o homem.
Além disso, o próprio mundo do ser humano é construído através da sua relação, pelo trabalho, com a natureza. Assim sendo, o trabalho é essencial ao capitalismo e impede o desenvolvimento do ser humano enquanto tal. A sociedade capitalista obriga a uma transformação do homem, ao embrutecimento e angústia e ao isolamento do próprio ser humano, influenciando a visão que este tem do mundo e da sua vida genérica.
E com isto o que resta a todos os trabalhadores é ...
" UNEM-SE TRABALHADORES DE TODO O MUNDO; VOCÊS NÃO TÊM NADA A PERDEM A NÃO SER AS VOSSAS CORRENTES!"(MARX )
Referencias\ Webgrafia
Marx, K. (1993) «O Trabalho Alienado» in Manuscritos Económico Filosóficos. Lisboa: Ed. 70.
https://1000wordphilosophy.com/2015/05/13/karl-marxs-conception-of-alienation/