segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

A alienação do trabalho com a arte de consumir

Será que hoje em dia, podemos chamar à propria arte de "arte"? Em tempos o que antes apenas era uma manifestação do intelecto do Homem, fosse em desejos, sonhos, crenças ou a própria melâncolia, rapidamente começou a tomar um papel muito mais comercializado.
Para os artistas que anseiam viver apenas da arte que produzem, por muito apaixonados que sejam com a carreira que decidiram escolher. e que tentem afirmar que apenas a fazem por gosto, rapidamente acabam envoltos no mundo do negócio - tanto pela exigência do público, as rivalidades com grandes empresas e até mesmo pela própria sobrevivência. E um dos maiores exemplos de como a arte rapidamente pôde ser influênciada por um meio capitalista é a Pop Art, surgida na década de '50, com as intenções de demonstrar o quão intenso se tornou o consumo capitalista e então a exigência da criação da arte, que estava a viver uma crise, em grandes quantidades.
Nos tempos de hoje, é dificil para o sujeito viver apenas do prazer para lhe fornecer tudo o que necessita para o seu dia-a-dia, pois. Visto que cada vez menos existe uma procura da arte como dantes e, quando a buscam, para alcançar as mãos impacientes que a desejam possuir, é necessária uma maior produção para poder existir o seu consumo. Contudo, uma produção constante acaba por ser exaustante, até mesmo pouco proveitosa... o artista não pode agora produzir apenas quando se sente inspirado e com vontade, mas sim também quando lhe é exigido. Isso claro se ele tiver intenções de viver do que ele antigamente designava como sendo uma "paixão" - agora tendo acabado por se tornar um trabalho cansativo como todos os outros.
Para o artista poder romper a sua alienação com a própria arte, teria de se impor sobre os conceitos do mercado e da comercialização do seu trabalho, mas então, se o fizesse volvia a produzir por um prazer que dificilmente lhe iria trazer qualquer sustento. Mas apenas ai seria então de novo apenas um ser da natureza.


Referências:
Karl Max (1993) «O trabalho Alienado» in Manuscristos Económico Filosóficos, Lisboa: Ed.70