segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Sincronia -Um português juvenil




Segundo a visão do linguista Ferdinand de Sussurre este defendia que a língua, poderia e deveria ser estudada como uma realidade autónoma num determinado ponto no tempo, sem que fosse necessária a análise dos seus processos evolutivos, procurei também eu questionar a estrutura da linguagem como um sistema em funcionamento vivido na realidade dos jovens hoje em dia. Uma época constituída por variações da língua, derivadas da região de onde vivemos, do meio social onde estamos inseridos, das situações em que nos encontramos e da tecnologia a que estamos expostos.
 A “velha” língua portuguesa está a sofrer um processo de rejuvenescimento perpetrado pelas gerações mais jovens, temos vindo a formatar a língua de Camões ao seu próprio estilo, um Português Juvenil, caracterizado pelo grande uso do calão/gíria que é um fenómeno de linguagem especial usada por certos grupos sociais, pertencentes a uma classe em que se usam palavras não convencionais para designar outras palavras formais da língua. Uma gíria grupal, possuindo um carácter criptográfico, isto é, uma linguagem codificada de tal forma que em certos casos, dificilmente é percebida por quem não pertence ao grupo, feito com o fim de realizar conversas mais praticas, simples e rápidas, destinado a conversas informais.
Expressões como “yá meu”, “bué” e “tá-se bem”, que hoje se ouvem frequentemente no nosso quotidiano vindos dos “portugueses de amanhã”, dão conta desta espantosa juvenilização da língua lusa. Este português juvenil está em contínua mutação.
 Exs. Um pouco/um coche/uma beca; queda/tralho/malho; pá/tipo,  a verdade é que nunca se irá estagnar, haverão sempre outras novas expressões sinónimas que darão lugar ás gírias já antes utilizadas.
Chega até mesmo a existirem situações em que esta linguagem de calão é usada de forma inconsciente, automática e involuntária. Como por exemplo, o conector “tipo” funciona como um tique linguístico muito usado entre os jovens e ouvido com grande frequência em conversas, ex. «tipo eu quis candidatar-me àquela vaga, mas tipo, sabes como é que é, tipo…».
Deste modo, o uso continuo do calão português torna-se a língua usual dos jovens e adolescentes no séc. XXI, um luso juvenil e imberbe.
Para mim, gíria não é uma linguagem culturalmente pobre como consideram alguns especialistas, as gírias são bastante antigas sendo que algumas têm mais de três séculos e trazem certas riquezas culturais das suas origens, não é algo pejorativo, nem tão pouco  vejo da forma preconceituosa como “linguagem dos preguiçosos” e de pessoas “sem instrução formal”, mas sim, como um objeto de estudo pelo fator de ser usados por pessoas de variadas classes sociais e culturais.