Segundo a visão do linguista Ferdinand de Sussurre este defendia
que a língua, poderia e deveria ser estudada como uma realidade autónoma num
determinado ponto no tempo, sem que fosse necessária a análise dos seus processos
evolutivos, procurei também eu questionar a estrutura da linguagem como um
sistema em funcionamento vivido na realidade dos jovens hoje em dia. Uma época
constituída por variações da língua, derivadas da região de onde vivemos, do
meio social onde estamos inseridos, das situações em que nos encontramos e da
tecnologia a que estamos expostos.
A “velha” língua
portuguesa está a sofrer um processo de rejuvenescimento perpetrado pelas
gerações mais jovens, temos vindo a formatar a língua de Camões ao seu próprio
estilo, um Português Juvenil, caracterizado pelo grande uso do calão/gíria que
é um fenómeno de linguagem especial usada por certos grupos sociais,
pertencentes a uma classe em que se usam palavras não convencionais para
designar outras palavras formais da língua. Uma gíria grupal, possuindo um
carácter criptográfico, isto é, uma linguagem codificada de tal forma que em
certos casos, dificilmente é percebida por quem não pertence ao grupo, feito
com o fim de realizar conversas mais praticas, simples e rápidas, destinado a
conversas informais.
Expressões como “yá meu”, “bué” e “tá-se bem”, que hoje se
ouvem frequentemente no nosso quotidiano vindos dos “portugueses de amanhã”,
dão conta desta espantosa juvenilização da língua lusa. Este português juvenil
está em contínua mutação.
Exs. Um pouco/um
coche/uma beca; queda/tralho/malho; pá/tipo, a verdade é que nunca se irá estagnar, haverão
sempre outras novas expressões sinónimas que darão lugar ás gírias já antes
utilizadas.
Chega até mesmo a existirem situações em que esta linguagem
de calão é usada de forma inconsciente, automática e involuntária. Como por
exemplo, o conector “tipo” funciona como um tique linguístico muito usado entre
os jovens e ouvido com grande frequência em conversas, ex. «tipo eu quis
candidatar-me àquela vaga, mas tipo, sabes como é que é, tipo…».
Deste modo, o uso continuo do calão português torna-se a
língua usual dos jovens e adolescentes no séc. XXI, um luso juvenil e imberbe.
Para mim, gíria não é uma linguagem culturalmente pobre como
consideram alguns especialistas, as gírias são bastante antigas sendo que
algumas têm mais de três séculos e trazem certas riquezas culturais das suas
origens, não é algo pejorativo, nem tão pouco vejo da forma preconceituosa como “linguagem dos
preguiçosos” e de pessoas “sem instrução formal”, mas sim, como um objeto de
estudo pelo fator de ser usados por pessoas de variadas classes sociais e
culturais.