quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Uma questão de prespectiva

Na sua teoria da relatividade geral, Albert Einstein, fala da perspectiva do homem como a realidade que conhecemos, questionando deste modo a nossa visão do universo e tudo associado com este. Este é um tema que se apresenta como constante no nosso mundo apesar de ser quase incógnito.
A questão que se coloca é : como é que eu sei que o meu vermelho é igual ao que tu vês? 
De um ponto de vista exterior há a possibilidade de não o ser. Porém, é impossível, de momento, explicar algo como uma cor, quer seja por uma barreira linguística ou pela sua natureza. Esta é uma questão que serve como uma metáfora para o universo em geral. Como é que sabemos que o que nós concebemos está correto e não é apenas plausível através da nossa própria perspectiva? Albert Einstein da como fundamento desta afirmação o seguinte cenário hipotético: se houver um caixa, com uma pessoa dentro, e das duas uma, ou se encontra na terra onde a força gravitacional é equivalente a uma aceleração de 9.8m/s ou estiver em constante movimento vertical onde a sua velocidade também é de 9.8m/s, não será possível por parte da pessoa dentro da caixa dizer em quais dos cenários se encontra. 
Após a aula de cultura visual onde o professor explica com o exemplo da laranja em como tudo o que observamos é resultado da nossa visão pessoal, sentado no metro, observei a secção de várias carruagens ligadas e o movimento de uma carruagem para outra. Pude assim constatar que o movimento das outras secções era quase que extremo e não parecia ser equivalente ao da secção em que me encontrava. Criei uma paralelo com a natureza humana e com as nossas ideias: poderia eu, sem a existência de uma outra carruagem, saber da turbulência da minha própria? Será que os humanos têm uma "carruagem" externa que nos dá uma perspectiva diferente da nossa ou será que vivemos as nossas vidas sempre na ignorância do nosso ser? Será essa a limitação da espécie? 

Com esse pensamento regresso ao dilema inicial, estamos dentro da caixa, sem ninguém por fora, a tentar descobrir o que se passa no exterior apenas com o nosso olhar incessante para as paredes escuras da caixa, do ruído inexistente daquilo que existe para além das nossas barreiras, do nosso toque curioso e com o paladar e olfato do ar no interior. Por vezes pensamos descobrir a resposta mas é apenas baseada nos nossos sentidos e nos instrumentos que, por sua vez, são baseados na nossa experiência. A única maneira de saber se a caixa e, consequentemente, nós estamos na primeira, na segunda ou numa outra situação é se observarmos por fora desta e com instrumentos que não os à nossa imagem mas sim os à imagem do universo. Esta é a limitação da nossa espécie.