Seitas e cultos são grupos ou movimentos com uma ideologia (na maioria das vezes radical) em comum que é geralmente encarnada por um líder, motivado por dinheiro, sexo, poder ou os três. Pessoas que pertencem a estes grupos parecem-nos lunáticos por serem completamente alienados, por não pensarem por eles próprios, por só seguirem ordens e por nunca mudarem de ideias, por mais que os convençamos. Mas o que não percebemos é que estes indivíduos eram e são pessoas como as outras. Mas como é que alguém se afasta tanto da realidade e se junta a um culto?
Existem milhares de seitas e cultos pelo mundo e nem todos são religiosos. Podem também ser políticos, com base em terapia ou grupos de auto-ajuda (sendo que nem todas as religiões são seitas). Muitas religiões começaram como cultos mas, à medida que cresciam, foram-se integrando nas sociedades, tornando-se comum. Em contraste, uma seita moderna afasta os seus apoiantes dos seus amigos, familiares e da sociedade. Em vez de ajudar os seus membros a viver uma vida melhor e com mais sentido, como é prometido, um culto procura controlá-los diretamente, desde relações pessoais, até à forma de viver, transformando-os em pessoas alienadas.
Estes grupos podem ser identificados por alguns aspectos: têm uma hierarquia extremamente rigorosa e separam os novos recrutas e os apoiantes inferiores do funcionamento interno do culto; exigem um grande apoio dos seus membros, tanto emocional como financeiro; dizem responder a todas as dúvidas do mundo através da sua doutrina e por último, utilizam a influência e o controlo para manter a ordem e a obediência dos seus membros, com pouca tolerância para a desobediência.
Mas o que temos mesmo dificuldade è em perceber como è que uma pessoa se sujeita a um culto. Isto deve-se ao facto de os líderes e membros destes grupos saberem escolher as pessoas certas. Os novos recrutas são normalmente pessoas que são novas na área e não conhecem ninguém, aqueles que sofreram recentemente qualquer perda pessoal e profissional e aqueles que sofrem de solidão, tristeza e procuram sentido nas suas vidas. Estes sujeitos fragilizados são os mais susceptíveis a pessoas amigas e grupos que oferecem apoio e comunidade, que acabam por se juntar a estes grupos depois de um processo de recrutamento que pode demorar meses. Para além destes há também excepções, como aqueles que se juntam voluntariamente apenas pelo desejo de pertencer e de atingirem as recompensas prometidas.
Depois deste recrutamento, que é feito como um esquema de pirâmide, os novos membros são sujeitos a várias formas de doutrinamento, desde do uso da inclinação natural para seguir comportamentos sociais e ordens, ao uso de persuasão que envolve a culpa, vergonha e medo. Estão também sujeitos a um ambiente que desencoraja o pensamento crítico, tornando difícil exprimir dúvidas quando toda a gente à volta professa uma fé absoluta.
Pode não parecer, mas estes grupos têm um grande efeito na nossa sociedade. A maioria não acaba com fatalidades, como é o caso de Heven’s gate em 1997 ou de Jonestown em 1978, mas não deixa de criar impacto no mundo, transformando amigos e familiares em ”lunáticos” pelo interesse de uma pessoa carismática. Mas há formas de combater este problema, criando apoio para pessoas emocionalmente frágeis e ajudando os membros destas organizações gradualmente, sendo que a única forma de não sermos vítimas è questionar, pensar por nós próprios, ter uma opinião nossa. Só assim não seremos controlados.