O mito demonstra ou procura demonstrar através de uma narrativa
a origem do Homem e fenómenos naturais, chegando a personificar ou representar
como Humanos deuses (caso da mitologia grega) utiliza muita simbologia
misturando factos e pessoas reais, com personagens sobrenaturais, deuses e
heróis tenta também demonstrar a grandeza do Homem e enaltece os seus actos
adquirindo quase um carácter pedagógico acerca de valores.
É erradamente confundido com o que é um a lenda, é um erro
aceitável já que diferem na sua forma de transmissão sendo a lenda uma forma
degenerada do mito, passada pela oralidade e por consequência tornando-se mutável
e fruto da imaginação popular.
O que será então toda a religião senão mais que um grupo de
pessoas que continuam a praticar rituais em torno de mitos, claramente seguindo
uma tipologia específica, afastando-se do folclore e negando o carácter
anedótico e espontâneo.
Pergunto-me então porque mantemos esta tradição de adoração
ao mito, guiando-nos por conjecturas desenquadradas ao mundo do Séc XXI,
conjecturas que levaram a inúmeras guerras ao longo da história da Humanidade e
parece que pouco evoluímos mesmo estando perante o auge da ciência e à beira
até da criação da inteligência artificial.
Existirá então uma proporcionalidade inversa entre o culto a
uma religião, ao mito, e o conhecimento científico do sujeito? Errado é
generalizar e comparar a crença ao fanatismo portanto essa proporcionalidade é
inexistente.
E será que adotando a crença no mito, de uma forma racional
e equilibrada não será pedagógico e usado como transmissor de valores?
Talvez seja apenas uma ferramenta atenuante do pensamento
doloroso e consciente de que todos morreremos e seja usada como uma saída, algo
em que escolhemos tanto acreditar que deixamos de nos interrogar, e aprender a
viver com uma certeza, não certa, não errada, apenas algo em que escolhemos
acreditar, passamos a ignorar as pontas soltas no nosso raciocínio.