quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Guardador de Dons


 No passado fim de semana, dias 16 e 17 de Dezembro, a Câmara de Cascais apresentou um teatro no contexto do projecto BIP – Bolsas de Incentivo à Participação - através de um workshop de teatro. A peça chama-se “O Guardador de Dons” e foi escrita pela Mariana Marques Guedes, uma actriz portuguesa de origem Cascalense, sendo conhecida em “Água de Mar”, “Jacinta”e “Inspector Max”.  Foi apresentado no Teatro de Gil Vicente e teve como bilhete de entrada a entrega de produtos de higiene de bebés, para a Associação Milmar. Os actores da peça foram jovens selecionados depois de um casting realizado pelo Cascais Jovem.
 A história é sobre um rapaz chamado Tobias, dono de uma livraria, que serve como um ponto de encontro de muitas outras personagens. Adorado e sempre prestável, um dia, depois de ler um livro, começa a questionar sobre o seu lugar no mundo, o seu objectivo, o seu dom.  A partir daí, irá interagir com várias personagens amigas, que levará o público numa viagem no interior de cada um. Apesar de ter sido não mais de meia hora, a mensagem da história foi bem transmitida, através de um vocabulário simples, muito humor e boa representação dos jovens actores. Falas que eram fáceis de perceber, mas que conseguia fazer o público reflectir nos seus significados. Alguns pormenores de que gostaria de apontar seria da maneira como os actores apareciam em cena, por todo o lado (enquanto as luzes os seguiam)  em vez de ser apenas do palco (como a narradora que estava atrás de mim e me pregou um susto quando falou), tornando a peça mais íntima e à vontade, conectando melhor com o público. Outro pormenor seria da narradora, que fazendo o seu papel, falava também com Tobias, como se fosse a consciência dele, transformando um monólogo para um diálogo, para além de também fazer comentários, quebrando então aquele limite dos narradores, que se apenas limitam a narrar sem interferir no enredo.  O terceiro será da maneira como finalizaram, aparecendo um actor de cada vez, sentando-se mesmo em frente do palco e transmitindo mensagens directamente para o público. O único problema na minha opinião é ter sido uma pena que muitas pessoas não ouviram falar ou não mostraram interesse, pois apesar de o teatro ter ficado cheio, a maior parte do público foram familiares dos actores.
 Mas apesar disso, no geral foi um espectáculo que valeu a pena por não só dar oportunidades a novos talentos como ajudar em associações solidárias. Esta maneira de representação permite reenforçar o objectivo da peça, que é transmitir uma moral aos espectadores, mostrando que todos têm um dom, algo que se possa ser utilizado para o bem dos outros e a si próprios, que ninguém está neste mundo sem razão nenhuma e que é algo que só pode ser descoberto no interior de cada um.