Imaginemos um Best-seller, o romance se desenrola até
a parte mais esperada, seu clímax será o momento em que o casal que tanto
queríamos que ficasse junto, finalmente se encontra. A partir disso, quero
analisar esse momento em que cada palavra transcrita é um tempo decorrido em
nosso imaginário, de modo que experenciemos o que os personagens estão vivendo.
Assim, a cena segue “eles
se olham como se mais nada houvesse a volta deles, apenas os dois, mudos, sem
desviar o olhar para longe da profundidade dos olhos do outro, eles se
aproximam, devagar, com todo o cuidado para que nada perturbe aquele momento”,
a linearidade dos significantes proposto no texto, nos conduz em um único
sentido, palavra após palavra, as imagens em nossa mente movem-se de acordo, “até
que chegam tão perto a ponto de sentir a respiração um do outro, ainda olhos
nos olhos, agora olhos voltados para os lábios um do outro, estes se aproximam
a ponto de quase se tocarem”, a ligação entre o significante aqui escrito e o
significado pelo leitor criado é arbitrária, diferente para cada um que lê e o
sente.
Agora, nos coloquemos no lugar dos
personagens, a partir do sintagma, que aqui seria o presente momento do casal,
“um momento tão rápido, cada mudança de perspectiva é notável, cada gesto é inteiramente
sentido em cada milésimo de segundo passado”, e em meio a isso, define-se o
paradigma, pela possibilidade infinita de escolhas, o valor da ação que foi
escolhida está em todas as outras que não foram “os dedos acariciam o rosto e
estes mesmo trazem a boca mais perto, é possível sentir a respiração do outro
como se fosse a sua própria, prova nítida de que a atração elétrica existe, o
corpo vibra, até que...”, e por um ínfimo instante, o corte sintagmático se constitui
“e mais nada passa a cabeça, apenas o beijo existe”, algo se torna presente (in prasentia) pelo que foi uma hora
ausente (in absentia).
Será que o beijo não é
a ligação entre o mundo dos significados de um e o mundo dos significantes do
outro, o beijo não é apenas físico, derivado de nossos sentidos, é também a
frágil ligação entre o imaginário, o subjetivo, “encontro de corpos, encontro
de almas”.