quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Nós como produto alienado

No meu dia a dia sou bombardeada com uma ideologia imposta pelos famosos, pela moda e pelas classes superiores. A sociedade, em que nasci, ensinou-me a vestir roupa cor-de-rosa por ser menina, a brincar em cozinhas de plástico e a ver filmes de princesas para depois agir como uma “menina deve agir. Hoje em dia vejo-me frustrada com o facto de querer comprar roupa, que segundo os adultos é “pouco feminina”. Este pensamento comum a todos nós surge depois de assistirmos às famosas que vestem e calçam de tudo para ser femininas e agradáveis tanto ao olho sexual dos homens, como ao olho julgador das mulheres, ou seja, tornamo-nos neste produto alienado para agradar todos os outros e só ficamos felizes se conseguirmos satisfazer e impressionar as outras pessoas com o nosso outfit e a nossa maneira de pensar, que tem de ser igual à dos outros.
Todos nós devíamos esforçar-nos para deixarmos de ser alienados, que, segundo Karl Marx, “mascara a realidade”, pois deixamos de ter a nossa própria consciência, e optamos por uma mentalidade estereotipada e criada em conjunto com as outras pessoas.

Um ser poderoso, no século XXI, é alguém que reúne, literalmente, um maior número de seguidores que não opinam sequer as ideias desse. Alguém dito superior a ditar inconscientemente, ou não, as regras de comportamento e de moda ideologicamente corretos, e a julgar os que não seguem essas ideias, que passam a ser os diferentes e os excluídos; e essa falsa consciência injusta atinge estes também, de modo a que se sintam a mais neste mundo perfeito, que não existe.

Referências: Karl Marx (1993)  "O trabalho alienado"