Adaptado do livro
de Harper Lee (escrito em 1960), “Mataram a Cotovia” foi realizado em 1962 por Robert
Mullingan com um argumento de Horton Foote. Um drama a preto e branco com o
elenco de Gregory Peck, Mary Badham e Phillip Alford com enorme sucesso nesse mesmo ano, com várias nomeações de prémios e três Óscares, sendo
um deles de melhor argumento adaptado.
O filme relata a história da personagem principal
Scout, uma rapariga de oito anos que vive com o seu irmão três anos mais velho
Jem e o seu pai advogado Atticus no início dos anos 30, durante a Grande
Depressão, em Maycomb, Alabama. São mostradas as suas brincadeiras e evoluções
durante a fase de crescimento de Scout, sendo uma das principais brincadeiras
com o irmão inventar história acerca do seu vizinho Boo Radley que era
conhecido no bairro por nunca sair de casa e espiar pessoas durante
a noite. Um dia, Atticus é chamado para defender um negro, Tom Robinson, por
ter sido acusado de violar uma rapariga, Mayella Ewell, filha de Bob Ewell.
Durante o juramento Atticus chega a conclusão que Tom nunca poderia ser o
culpado pois suponha-se que Mayella tinha sido agredida do lado direito por
alguém canhoto e Tom era desabilitado do braço esquerdo. Mesmo assim, Tom é
considerado culpado. Na verdade, quem tinha agredido Mayella fora o seu pai Bob,
mas este conseguiu sair impune.
Tendo lido o livro
antes de assistir ao filme, é considerável dizer que lhe faz bastante jus. As
personagens, o ambiente e o conceito estão bens descritos, não havendo
quaisquer falhas ou falta de pormenores. Os atores fazem um papel incrível na
sua representação, sublinhando o papel de Scout e Jem, sem contar com Atticus. No
que toca ao filme em si, a história apresenta-se bastante bem narrada com as vidas
e personalidades das personagens, tal como o tom moralista do pai com os seus
filhos em relação a como agir perante o racismo e o mal na cidade, agravada
pela pobreza, e a maneira como estes evoluem ao que são expostos no quotidiano.
O conceito de injustiça é marcado no argumento final de Atticus durante o
julgamento; é um grande momento em que revela uma grande representação por parte
do ator Gregory Peck. Não só demonstra coragem como segurança na própria personagem,
que, para mim, é o melhor momento do filme. Também me agrada o facto de o filme ser concentrado no
assunto do racismo sem ter grandes cenas e ser demonstrado através da moralidade e
reações das personagens.
O conceito do filme
desenvolvido no título é caracterizado pela rareza do pássaro que consegue
emitir qualquer som à sua volta. Demonstrado na última cena entre Scout e Jem,
deixa-nos a pensar todas as nossas ações em que deveríamos dar mais valor ao que nos é próximo mas por vezes aparenta nos estar longe.
