Na aula dos conceitos de hegemonia,
resistência e incorporação apenas me veio à cabeça o livro “Admirável Mundo
Novo”, de Aldous Huxley. Esta questão está bastante presente devido à utopia
criada e o desenvolvimento e ruturas da mesma. Sendo uma utopia algo que não
existe no presente e que possa vir a ser realizado no futuro, a comunidade
descrita na obra acaba por se comparar aos dias de hoje.
A sociedade criada por Huxley consiste na divisão de classes baseada na
inteligência e no trabalho em que as classes mais altas são prestigiadas e
vice-versa. A personagem principal Bernard sente-se desconfortável e tem a
necessidade de se desprender desta civilização. Numa viagem fora desse mundo a
uma Reserva Selvagem (“Malpais”), Bernard entra em contacto com um dos nativos,
John. O livro desenvolve-se entre o paradoxo de uma comunidade que procura a felicidade
entre todas as classes (independentemente do estatuto social), onde os horrores
e tristezas do mundo real são rejeitados, com as impressões sensíveis de John
que se torna numa aberração vista pela civilização.
A questão da hegemonia entra na criação de um
grupo social onde cada um apresenta as mesmas características e capacidades e é
obrigado a pensar como o sistema socioeconómico que a comunidade pretende, uma
ideologia dominante relacionada a um poder partilhado. Claro que dentro de uma
hegemonia existe sempre uma resistência e o processo de incorporação, que,
neste caso, está presente quando Bernard e John se revoltam, pois transitam de
certa forma duma cultura dominante a uma cultura alternativa. Também é evidenciado
na toma de uma substância psicotrópica designada de “soma”, em que o indivíduo se
abstrai da realidade quando se sente em baixo, iludindo-se de uma felicidade artificial.
Talvez esta comunidade utópica possa
relacionar-se com o presente pois existe sempre uma porção da população que
sente a contradição às ideologias estipuladas. O “soma” pode ser uma ilusão da
realidade com o qual nos abstraímos às hegemonias presentes, tendo cada um uma interpretação
pessoal à fuga das culturas dominantes. Sendo John visto como algo aberrante ao
se revoltar, é esse o preconceito que alguns de nós têm ao ver alguém escapar
da dominância, mas no fundo também se abstraem com os seus “somas”.