quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Admirável Mundo Novo

  Na aula dos conceitos de hegemonia, resistência e incorporação apenas me veio à cabeça o livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley. Esta questão está bastante presente devido à utopia criada e o desenvolvimento e ruturas da mesma. Sendo uma utopia algo que não existe no presente e que possa vir a ser realizado no futuro, a comunidade descrita na obra acaba por se comparar aos dias de hoje.
  A sociedade criada por Huxley consiste na divisão de classes baseada na inteligência e no trabalho em que as classes mais altas são prestigiadas e vice-versa. A personagem principal Bernard sente-se desconfortável e tem a necessidade de se desprender desta civilização. Numa viagem fora desse mundo a uma Reserva Selvagem (“Malpais”), Bernard entra em contacto com um dos nativos, John. O livro desenvolve-se entre o paradoxo de uma comunidade que procura a felicidade entre todas as classes (independentemente do estatuto social), onde os horrores e tristezas do mundo real são rejeitados, com as impressões sensíveis de John que se torna numa aberração vista pela civilização.
  A questão da hegemonia entra na criação de um grupo social onde cada um apresenta as mesmas características e capacidades e é obrigado a pensar como o sistema socioeconómico que a comunidade pretende, uma ideologia dominante relacionada a um poder partilhado. Claro que dentro de uma hegemonia existe sempre uma resistência e o processo de incorporação, que, neste caso, está presente quando Bernard e John se revoltam, pois transitam de certa forma duma cultura dominante a uma cultura alternativa. Também é evidenciado na toma de uma substância psicotrópica designada de “soma”, em que o indivíduo se abstrai da realidade quando se sente em baixo, iludindo-se de uma felicidade artificial.

  Talvez esta comunidade utópica possa relacionar-se com o presente pois existe sempre uma porção da população que sente a contradição às ideologias estipuladas. O “soma” pode ser uma ilusão da realidade com o qual nos abstraímos às hegemonias presentes, tendo cada um uma interpretação pessoal à fuga das culturas dominantes. Sendo John visto como algo aberrante ao se revoltar, é esse o preconceito que alguns de nós têm ao ver alguém escapar da dominância, mas no fundo também se abstraem com os seus “somas”.