domingo, 17 de dezembro de 2017

Alienação na crítica de arte

Nos dias de hoje somos cada vez mais invadidos por informação que nos chega pelos mais diversos meios: televisão, telemóvel, internet, etc. Se não possuirmos um espírito crítico, próprio e seguro, isto leva a que nos agarremos à informação primeira, a que nos parece vir de uma fonte mais credível. A este fenómeno, “a diminuição da capacidade dos indivíduos de pensar e agir por si próprios”, Karl Marx dá o nome de Alienação.

Concentremo-nos no tema da arte e na sua crítica: com toda a evolução ao nível da comunicação, tornaram-se cada vez mais acessíveis os textos e artigos de crítica e opinião sobre a arte; textos e artigos estes outrora mais circunscritos a uma população mais erudita ou com um interesse particular pela área.
A difusão da crítica artística pelos diferentes meios sociais, como fruto de uma comunicação cada vez mais versátil a que assistimos, contribui para um maior conhecimento e coesão cultural; contudo, há efeitos deletérios que decorrem desta corrente massificante. Na generalidade da população, vemos uma tendência de resignação: sendo a arte encarada como um tema complexo, acessível apenas aos que estão educados para esta sensibilidade (artistas, críticos, colecionadores…), a verdade destes “peritos” é tomada como verdade inquestionável, assente no prestígio e segurança da opinião informada e educada.
Ao ler uma crítica ou opinião sobre certo quadro, a pessoa limita-se a assumir, frequentemente, a opinião do entendido quase como uma verdade inquestionável, interiorizando-a e tomando-a como sua; a opinião do crítico acaba por se tornar um dogma, uma verdade rígida e imutável, e o leitor abdica da faculdade de criticar, de questionar e de formar opinião.

Perante esta situação, torna-se evidente como a abundância de informação, que nos chega das mais diversas formas, nos pode levar a um estado de alienação; este excesso, que não é processável, impede-nos de questionar, conduz-nos a um estado acrítico, em que não questionamos, não nos questionamos, abdicando da nossa opinião pessoal.

Referência: Karl Marx (1993) «Trabalho Alienado» in Manúscritos Económico Filosóficos