Nos dias de hoje somos cada vez mais invadidos
por informação que nos chega pelos mais diversos meios: televisão, telemóvel,
internet, etc. Se não possuirmos um espírito crítico, próprio e seguro, isto
leva a que nos agarremos à informação primeira, a que nos parece vir de uma
fonte mais credível. A este fenómeno, “a diminuição da capacidade dos indivíduos
de pensar e agir por si próprios”, Karl Marx dá o nome de Alienação.
Concentremo-nos no tema da arte e na sua
crítica: com toda a evolução ao nível da comunicação, tornaram-se cada vez mais
acessíveis os textos e artigos de crítica e opinião sobre a arte; textos e
artigos estes outrora mais circunscritos a uma população mais erudita ou com um
interesse particular pela área.
A difusão da crítica artística pelos
diferentes meios sociais, como fruto de uma comunicação cada vez mais versátil a que
assistimos, contribui para um maior conhecimento e coesão cultural; contudo, há
efeitos deletérios que decorrem desta corrente massificante. Na generalidade da
população, vemos uma tendência de resignação: sendo a arte encarada como um
tema complexo, acessível apenas aos que estão educados para esta sensibilidade
(artistas, críticos, colecionadores…), a verdade destes “peritos” é tomada como
verdade inquestionável, assente no prestígio e segurança da opinião informada e
educada.
Ao ler uma crítica ou opinião sobre certo
quadro, a pessoa limita-se a assumir, frequentemente, a opinião do entendido quase
como uma verdade inquestionável, interiorizando-a e tomando-a como sua; a opinião
do crítico acaba por se tornar um dogma, uma verdade rígida e imutável, e o
leitor abdica da faculdade de criticar, de questionar e de formar opinião.
Perante esta situação, torna-se evidente
como a abundância de informação, que nos chega das mais diversas formas, nos
pode levar a um estado de alienação; este excesso, que não é processável,
impede-nos de questionar, conduz-nos a um estado acrítico, em que não
questionamos, não nos questionamos, abdicando da nossa opinião pessoal.
Referência: Karl Marx (1993) «Trabalho
Alienado» in Manúscritos Económico Filosóficos