A objetificação da mulher vai muito além do corpo como objeto sexual. Se analisarmos cuidadosamente os discursos que englobam a vida das mulheres, sabemos o quanto somos forçadas a parecermos felizes, mesmo quando não estamos. “Uma mulher tão linda, porque não está sorrindo?”, já nos disseram inúmeras vezes. Porque não sorrimos o tempo todo? Talvez porque ninguém é feliz o tempo todo, e não há problema nisso.
Sentir-se infeliz, triste ou insatisfeita deveria ser algo natural, mas infelizmente para as mulheres não é. Uma mulher que expõe suas insatisfações é vista como louca, cruel. Se ela não está feliz por ser mãe, é insensível. Se está insatisfeita com o trabalho, é desequilibrada. Se está triste, é sensível demais. Se está indisposta, é exagerada. Nascemos e crescemos com a ideia de que devemos sempre estar felizes, independente de qualquer coisa, e isso nos faz anular nossos sentimentos.
E essa anulação nos acontece de forma natural, estamos tão familiarizadas com essas exigências que nos sentimos culpadas quando não conseguimos atingir às expectativas. Falar sobre o que não está nos agradando, sobre o que nos incomoda, sobre o que nos deixa frustradas é um caminho árduo, sabendo que aos olhos dos outros pareceremos frágeis ou inconstantes. E até no momento que não estamos em busca de opinião nenhuma, sempre há alguém para lembrar como um sorriso combina com você. Os sentimentos? Isso não importa, o que importa é o que você aparenta ser.
De uma sociedade que exige que a mulher cumpra tantos requisitos para simplesmente viver, não é surpresa nenhuma que esqueçam que há um ser humano com sentimentos por dentro. Sentimentos que precisam ser aceitos e compreendidos como algo natural. Mas pra que falar disso, não é mesmo? O que importa, no fim de tudo, é que você fica linda quando sorri.
