terça-feira, 19 de dezembro de 2017

PUNK IS DEAD/PUNK IS NOT DEAD

     “PUNK IS DEAD” ou “PUNK IS NOT DEAD”? Já li estas duas frases na internet que me levaram a refletir sobre o impacto desta subcultura na sociedade atual versus a sociedade do fim dos anos 70/início dos anos 80. Este fenómeno do chamado “movimento punk” surge nos EUA e Inglaterra, na segunda metade da década de 70 e perlonga-se até ao início da década de 80. 
    Na época, a sociedade era culturalmente dominada pelo consumismo e pelo capitalismo exacerbados e algum conservadorismo, a nível sociopolítico também existiam conflitos e na música dominavam o disco e os espetáculos exuberantes de rock com extensos solos de guitarra. Este grupo de jovens indivíduos surge como resistência a este contexto hegemónico, eles procuravam proclamar a sua liberdade individual e de expressão, defendiam o “DIY” (“do it yourself”), o anarquismo e o anti-capitalismo (alguns deles procuravam gerar caos), eram antissistema, achavam que o rock tinha de seguir um novo rumo e queriam-se distinguir do resto da população através da sua moda, das suas ideologias, da sua música, que era o meio de comunicar as suas ideias e opiniões [e as artes visuais e a literatura]. Tocavam a sua música em pequenos bares para pequenos grupos de pessoas e até mesmo outras bandas ou artistas. Este movimento começou a destacar-se da cultura e a ser visto quase como uma ameaça, pela sua forma de estar em sociedade.
         Quando esta ideologia alternativa começou a crescer e solidificar-se, os media começaram a dar-lhes visibilidade e classificaram-nos como “punks”, colocando a todos estes artistas o rótulo do chamado “Punk Rock”, o que fez com que muitos não se identificassem até com a definição. Com este estereótipo a ideologia que se revoltava contra a alienação imposta pela hegemonia, torna-se também ela alienante no seu seio, afirmam mesmo os próprios artistas. 
        Esta produção da Indústria Cultural deu destaque ao movimento e de repente começaram a dar concertos maiores, a ser mais falados pelo público, a produzir discos em grandes editoras e foi como Fernando Pessoa disse “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
    Os punks começaram a tornar-se cada mais uma peça cultural do que contracultural, as pessoas habituaram-se de certa forma à sua presença, porque passou a fazer parte do seu contexto ao ser definida. Com a gradual incorporação do movimento punk na cultura dominante, as bandas começam a seguir outros caminhos, o sistema apropriou-se do punk e trouxe elementos seus para o mainstream.
       O Punk não morreu no sentido em que trouxe à sociedade uma nova forma de ver a moda, a ideia do “DIY” ou muitas influências musicais, por exemplo. No entanto, apesar de ainda hoje existirem pessoas que seguem esta ideologia como estilo de vida, socialmente já não têm impacto, portanto de certo modo também morreu, pois  já não é uma força ativa impactante da resistência na sociedade, sendo que passou a estar incorporada na cultura, no momento que foi rotulada.