sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Poliglota

 Ser bilingue/poliglota é para mim, algo que acontece de forma natural, mas de uma maneira forçada. Muitas vezes é o resultado de uma situação em que alguém vai para fora do seu país e que para conseguir integrar e apropriar-se a uma nova cultura, aprender a língua nativa é o primeiro passo. 
  No meu caso, na altura achei extremamente difícil, pois senti-me quase como uma marciana e metaforicamente uma pessoa “surda”, pois apesar de ouvir, tudo o que ouvia era apenas sons e barulhos sem perceber nada do que se está a passar, como se não ouvisse. Este obstáculo aconteceu quando tinha 8 anos, a partir do momento em que os meus pais me puseram num infantário e pouco depois na escola.
Estes foram com certeza, o melhor momento para a aprendizagem de língua, sem necessitar de um mínimo esforço para além da minha. Olhando para trás, consigo dizer que afinal não foi grande coisa, mas obviamente, não devo subestimar as dificuldades que eu senti na altura. Durante esse tempo, tentar perceber as coisas e transmitir os meus pensamentos foram os meus inimigos. No entanto, também tive sorte na minha situação: o facto de começar do 1º ano fez com que a diferença não fosse muito grande comparada com os outros meninos, sendo que apesar de eles saberem falar português e eu não, pelo menos estávamos “quites” em relação à escrita e à leitura. Depois de muita televisão e socialização, a minha integração foi tão rápida e suave que até eu não consigo explicar como aconteceu.
  Hoje em dia, sinto-me como um "mini tradutor" que consegue traduzir várias palavras e frases em várias línguas. É algo que me sai naturalmente, parecendo que as palavras explodem dentro da minha cabeça e saem automaticamente. Provavelmente, uma lógica que justifique esta sensação é a memória. Isto é tudo aprendido e memorizado e como consigo utilizar todo este vocabulário regularmente, elas ainda estão bem “frescas” no cérebro. Nada melhor que conseguir compreender e transmitir uma palavra de mesmo significado em várias línguas, só que com o signo e significante diferentes.