terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Orientalismo e racismo na atualidade

Em 1978, Edward Said escreveu um livro, Orientalismo, que mostra que o Oriente não é só um nome geográfico entre outros, mas uma invenção por parte do Ocidente que reúne as várias civilizações a leste da Europa num mesmo grupo que é considerado inferior.
Como uma forma de assumir controlo sobre o Oriente, servindo os interesses do colonialismo, os seus habitantes foram caracterizados como pouco evoluídos, descritos como todos iguais, dando-nos uma ideia pre-concebida de como eles agem, no que acreditam, mesmo sendo-nos completamente alheio os seus costumes, o seu estilo de vida ou o seu território. Isto é uma maneira de tornar o desconhecido, o 'outro', diferente e ameaçador para os ignorantes.
Diariamente continuamos a lidar com situações como esta, em que tirando partido da cor de pele ou do local de nascença das pessoas, o considerado diferente é julgado e considerado parte desse tal grupo menos evoluído, sem pensamentos intelectuais. 
Esta estereotipação é causada por uma hegemonia das classes sociais. Significa uma supremacia de alguma coisa sobre a outra, o poder que uma pessoa ou grupo em posição de domínio em relação a outros, impondo os seus próprios valores, crenças e ideologias que configuram e sustentam assim um estado de homogeneidade no pensamento e na ação, tomando essas concepções e denominando-as de 'senso comum'.
Assim o racismo hoje em dia continua a ser um dos maiores problemas entre a nossa população, a dificuldade em aceitar a igualdade e o contínuo medo do desconhecido. Apesar de atualmente considerar este tipo de pensamento inaceitável, a partir do momento em que somos uma sociedade informada e consciente, existem ainda indivíduos que não conseguem ultrapassar os estereotipos antiquados.
Felizmente não é possível hegemonizar o pensamento dominante: existem sempre minorias que mantêm os seus valores, mas que se renegam a um segundo plano, mantendo-se maioritariamente invisíveis na sociedade.