quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O mito é uma linguagem

“O mito é uma linguagem.”

   Roland Barthes, em Mitologias, caracteriza o mito como uma linguagem que depende da cultura da sociedade em que está inserido. É no fundo uma fala, um sistema de comunicação. Foi a sensação estranha que a arte e imprensa lhe causavam que serviu como ponto de partida para esta reflexão sobre o mito. E pensando naquilo que é a imprensa e a arte, não só no tempo de Barthes mas também hoje em dia, esse sentimento de estranheza cresce.

   Se Roland Barthes nos dias de hoje entrasse num centro comercial (como por exemplo os Armazéns do Chiado) diria que aquele era um dos melhores locais para sermos bombardeados com mitos. Desde publicidade de natal com os seus cartazes enormes com letreiros grandes, cores quentes, e famílias felizes em torno de uma árvore de natal com prendas até ás campanhas de restaurantes a promover uma alimentação saudável com uma senhora sorridente a desfrutar a sua refeição veggie.

   Somos abalroados com cores, letras e imagens que estereotipam a felicidade e induzem confiança nas marcas. E assim, sem sequer notarmos, todo o que nós vemos já não passa de uma realidade controlada. Através de uma análise semiótica percebemos que somos manipulados através de pequenos pormenores que absorvemos sem perceber, que não só refletem um significado como o modificam e por isso, somos persuadidos a pedir a tal refeição veggie ao balcão ou a comprar aquele produto em específico.